Empresas: o ''marketing verde'' em Copenhague

COP-15 contou com cerca de 50 companhias e associações do País

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

20 Dezembro 2009 | 00h00

As empresas brasileiras marcaram forte presença na COP-15. Cerca de um terço da volumosa delegação brasileira, que levou perto de 700 pessoas à Dinamarca, era de representantes da iniciativa privada. No total, haviam em torno de 50 empresas e associações de classe.

Os interesses das empresas vão desde defender os atributos de sustentabilidade de seus setores - caso da indústria do etanol e do segmento de florestas plantadas - até a busca de parcerias internacionais para transferência de tecnologia. As entidades representantes da indústria foram atrair missões empresariais ao País. A ida à COP-15 também é uma oportunidade de oferecer dados técnicos para os negociadores brasileiros. Tudo isso somado a um inevitável marketing "verde".

"As empresas foram vender seu peixe", resume Carlos Cavalcanti, diretor de Energia da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que levou uma equipe de 12 pessoas à COP-15. "Em muitos pontos, a Conferência se assemelha a uma grande feira de negócios."

O Espaço Brasil, ponto de encontro da delegação brasileira no Bella Center, foi o epicentro dessa tentativa de divulgar as vantagens da economia brasileira na corrida rumo à economia de baixo carbono. A agenda do espaço, cuja montagem foi uma iniciativa do Itamaraty em parceria com dez entidades ligadas ao setor privado, incluía exibição de vídeos em inglês sobre temas como energias renováveis, produção agrícola e o papel do Brasil no comércio exterior. O local também abrigava coletivas de imprensa.

Kalil Cury, diretor de Relações Institucionais do grupo Camargo Corrêa, era um dos frequentadores assíduos. Em sua agenda estavam duas palestras sobre os benefícios socioambientais e econômicos das hidrelétricas. O executivo critica o que chama de "demonização" das usinas, em razão dos conflitos envolvendo ambientalistas, comunidades atingidas por barragens e indígenas. Ele observa, no entanto, que o intuito de atingir um público alvo internacional não foi plenamente alcançado. "Nossas palestras atraíram alguns estrangeiros, mas a maioria era de brasileiros mesmo."

INOVAÇÃO

A tendência de brasileiros se fecharem em uma "concha" durante a COP-15 foi criticada por Ricardo Young, presidente do Instituto Ethos, entidade que dissemina os conceitos de responsabilidade social e sustentabilidade entre empresários. "Tenho a impressão de que a oportunidade de se mostrar para o mundo foi perdida", diz ele, que afirma ter visto pouco protagonismo por parte das empresas, salvo exceções como a mineradora Vale e a Unica, que representa a indústria de cana-de-açúcar.

Young afirma que, apesar disso, havia um ambiente favorável à percepção e assimilação de novas tecnologias que devem ditar o modo de fazer negócios em uma economia voltada à sustentabilidade. Um exemplo é a feira Bright Green, de tecnologias verdes, que compôs a agenda paralela das negociações. "Foi como pisar na feira mundial do início do novo século", diz Young. Segundo ele, o empresário mais atento pôde perceber as novas frentes de inovação com foco em sustentabilidade que serão as apostas da nova economia verde.

São áreas que estão sendo revolucionadas, como matriz energética, ecoeficiência, precificação de carbono e inovação de ruptura. "O setor privado brasileiro tende a ficar acomodado com a ideia de que já possui uma matriz energética limpa e não está concentrando investimentos nas novas frentes de inovação", diz Young. "As empresas vieram à COP-15 esperando mostrar suas boas práticas e se depararam com um mundo novo."

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