ENTREVISTA-ONU vê melhora no Haiti e defende mudanças em missão

As ruas de Porto Príncipe ainda são violentas, mas já não causam o temor de anos atrás, quando grupos armados atuavam livremente em partes da capital haitiana, e a melhoria em segurança e a atual estabilidade política do país permitirão uma redução na presença da ONU sem arriscar os avanços da missão de paz, disse à Reuters o enviado da entidade ao Haiti.

* CONTINGENTE DA ONU SERÁ REDUZIDO EM 2.700 SOLDADOS, REUTERS

28 de outubro de 2011 | 13h01

A redução das tropas ocorre em meio aos contínuos esforços do Haiti para se reerguer quase dois anos após um devastador terremoto que matou mais de 250 mil pessoas e diante da crescente insatisfação local com as forças da Organização das Nações Unidas após acusações de abuso sexual e de que teriam iniciado uma letal epidemia de cólera.

"A situação no Haiti mudou... Podemos reduzir as tropas e policiais porque a situação melhorou. Estamos mudando, melhorando", disse à Reuters na quinta-feira o chefe da missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti (Minustah), Mariano Fernández, após visitar Bel Air, que já foi considerada uma das áreas mais violentas de Porto Príncipe.

Serão retirados cerca de 2.700 homens, o que reduzirá a missão ao tamanho anterior ao terremoto de janeiro de 2010 --quando o contingente foi reforçado-- para cerca de 10.600 soldados e policiais.

O Brasil, que lidera o trabalho da força e tem o maior efetivo, com mais de 2.100 militares, também reduzirá seu contingente.

Fernández citou a queda em níveis de criminalidade, como homicídio e sequestros, como justificativas para a redução.

A melhoria dos níveis de segurança ocorrem diante de uma participação maior da Polícia Nacional Haitiana, que já realiza operações em conjunto com as forças da Minustah. Em uma delas, na quinta-feira, oito integrantes de gangues foram detidos, dentre os quais estaria um dos criminosos mais perigosos do país, segundo as Forças Armadas brasileiras.

Apesar das melhorias, a Minustah enfrenta crescente impopularidade entre haitianos. O sentimento agravou-se após alegações de que soldados nepaleses da força de paz teriam causado a epidemia de cólera no país, que matou mais de 6 mil pessoas, depois de contaminarem um rio.

No mês passado, a missão enfrentou mais protestos contrários, após acusações de que um grupo de militares uruguaios teria abusado sexualmente de um haitiano de 18 anos.

O Haiti enfrenta grandes dificuldades em sua reconstrução. Segundo a ONU, ainda há cerca de metade de entulho a ser recolhido dos escombros. Apesar do desafio, Fernández disse que o objetivo principal da força da ONU segue sendo o de "manter a paz e a segurança" do país.

O forte tremor agravou a já debilitada economia local. Segundo a CIA, a agência de inteligência norte-americana, o desemprego local superou 40 por cento em 2010 e 80 por cento da população haitiana vive abaixo da linha da pobreza, sendo que 54 por cento estão em pobreza absoluta.

(Edição de Eduardo Simões)

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