Enzima permite crescimento de fibras nervosas da medula

Em testes com ratos, pesquisadores das Universidades Johns Hopkins e de Michigan desenvolveram um tratamento que ajuda os nervos da medula espinhal a crescer novamente, depois de um ferimento. As descobertas serão publicadas na edição desta terça-feira da revista Proceedings of the National Academy of Sciences. Os pesquisadores trataram danos experimentais de nervos em ratos com um enzima - chamada de sialidase - isolada de bactérias. Quatro semanas depois, mais que o dobro de nervos nas medulas espinhais de ratos tratados com a sialidase desenvolveram fibras nervosas, em comparação com os ratos que não receberam tratamento.O dano experimental em ratos imitou um ferimento em humanos que pode ocorrer durante o parto normal e ou em acidentes de moto, quando um braço é puxado violentamente do corpo. Esse ferimento faz com que os nervos sejam arrancados da medula espinhal. Sem esses nervos, o braço perde a sensibilidade e o tônus muscular. Sem o tônus muscular, o corpo não pode agüentar o peso do braço, e muitos problemas de saúde podem se desenvolver.Enquanto cirurgiões podem, em algumas vezes, reatar os nervos arrancados à medula espinhal, esse tratamento não é tão eficaz quanto os médicos ou os pacientes gostariam. Isso acontece, em parte, porque os nervos no cérebro e na medula espinhal, ao contrário daqueles no resto do corpo, não conseguem desenvolver novas fibras nervosas."Moléculas no ambiente da medula espinhal danificada estão instruindo a terminação nervosa a não crescer", disse o diretor do estudo, Ronald Schnaar, professor de farmacologia e neurociência no Instituto Ciências Biomédicas Básicas na Hopkins. "O cérebro e a medula espinhal são cheios de nervos e fibras nervosas, o que pode ser o motivo pelo qual nós desenvolvemos controles cuidadosos que dizem às células para parar de fazer novas conexões. O populoso sistema nervoso central tem maneiras de dizer ´Ok, terminamos´ para evitar que os nervos cresçam indiscriminadamente e façam conexões inapropriadas. Ganhando a habilidade de acumular os nervos próximos uns dos outros, nós desistimos da flexibilidade - a habilidade de nos curarmos depois de sofrer um ferimento".Muitas moléculas na medula espinhal são conhecidas por não deixar que as fibras nervosas cresçam. Schnaar se refere a essas moléculas como inibidores da regeneração de axônios, ou ARIs (na sigla em inglês). "Tratamentos que eliminem as ARIs podem permitir que as terminações nervosas recuperem suas habilidades regenerativas naturais, assim como fazem na periferia, e melhorem a recuperação", disse Schnaar."Nós estabelecemos que a enzima sialidase, que destrói uma dessas moléculas inibidoras da regeneração nervosa, é suficiente para aumentar bastante o crescimento de fibras nervosas da medula espinhal", explicou. Tendo demonstrado a habilidade da sialidase de melhorar a regeneração nervosa da medula em nervos periféricos transplantados, Schnaar e sua equipe estão testando o mesmo tratamento para ver se ele pode ajudas na regeneração nervosa em outros tipos de danos à medula espinhal.

Agencia Estado,

18 de julho de 2006 | 15h21

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