Equador e Colômbia trocam acusações na OEA

Rafael Correa diz que irá 'até as últimas conseqüências' para defender soberania.

Da BBC Brasil, BBC

05 de março de 2008 | 03h30

O Equador acusou a Colômbia de realizar uma "violação planejada e premeditada" de sua soberania durante reunião do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos (OEA) realizada nesta terça-feira.A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Isabel Salvador, pediu que a OEA condene a ação colombiana e "convoque de maneira urgente" uma reunião de consulta entre os ministros dos países membros."O território e a soberania (do Equador) foram objeto de uma violação premeditada", disse a chanceler equatoriana. A OEA afirmou que vai convocar a reunião.Em Brasília, onde chegou no início da noite desta terça-feira, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse em uma entrevista coletiva que irá "até as últimas conseqüências" para defender a soberania do país.Correa disse que só vai restabelecer as relações diplomáticas com a Colômbia caso o governo colombiano peça desculpas sem justificativas pela ação militar realizada em território equatoriano no último sábado, que desencadeou a crise diplomática.Além disso, Correa quer um compromisso formal de que ações desse tipo não vão voltar a ocorrer e que a Colômbia reconheça que montou uma farsa para vincular o governo do Equador ao grupo rebelde Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).Correa está visitando cinco países americanos para defender a versão equatoriana da crise diplomática. Ele chegou ao Brasil depois de passar pelo Peru e deve se reunir nesta quarta-feira, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.A crise entre os dois países começou quando a Colômbia realizou um ataque contra as Farc do lado equatoriano da fronteira. No ataque, um alto comandante do grupo rebelde, Raúl Reyes, foi morto."Causa justa"Durante a reunião da OEA, a Colômbia defendeu sua decisão de realizar um ataque contra as Farc em território equatoriano.O embaixador colombiano na OEA, Camilo Ospina, reiterou o pedido colombiano de desculpas pelo bombardeio, mas afirmou que a operação teve uma causa justa."Meu país exige que as coisas sejam chamadas por seus nomes: as Farc são uma máfia narcotraficante que em nada representa os interesses do povo colombiano", disse Ospina. "São uma máfia sem pátria.""É pertinente ressaltar que a Colômbia tem sérios indícios de que há atualmente acampamentos das Farc em território equatoriano", acrescentou.Ospina também pediu que sejam investigadas as ligações entre o presidente venezuelano, Hugo Chávez, e guerrilheiros das Farc.O embaixador da Venezuela na OEA, Jorge Valero, respaldou as propostas do Equador de criar uma comissão para investigar como ocorreu a "violação do território equatoriano" e de realizar uma reunião de consulta no máximo até 11 de março.Sobre a posição da Colômbia na reunião da OEA, Valero disse: "Não devemos permitir que o tema central deste debate seja desviado. Não podemos permitir que o agredido passe a ser agressor (...). Devemos rechaçar e pirotecnia diplomática fundamentada em falácias e mentiras para desviar a natureza grave dos fatos".Valero disse que se deve impedir que a Colômbia estenda o conflito armado que existe em seu território para outros países do continente. Tribunal Penal InternacionalPela manhã, o presidente colombiano disse que o país vai apresentar queixa no Tribunal Penal Internacional contra Chávez, acusando-o de "patrocínio e financiamento de genocidas". "Não precisamos que simplesmente batam nas nossas costas para dar pêsames, enquanto estão dando refúgio aos torturadores da Colômbia", disse Uribe. Em Genebra, onde participou de uma conferência da ONU, o vice-presidente da Colômbia, Francisco Santos, acusou os rebeldes das Farc de tentarem adquirir material radioativo para fazer uma "bomba suja".Em um comunicado divulgado no site da Agência Bolivariana de Imprensa, as Farc criticaram duramente Uribe e o ataque de sábado."A perfídia do ataque, a perversidade e o cinismo mentiroso de Álvaro Uribe para deformar as circunstâncias da morte do comandante Raúl não só elevam perigosamente a tensão com as repúblicas irmãs como também golpeiam com gravidade as possibilidades de intercâmbio humanitário e anularam a saída política para o conflito paramilitarizado e pró-ianque", diz a nota.As Farc também anunciaram que Raúl Reyes será substituído por outro líder rebelde, Joaquím Gómez, como membro do Estado Maior da organização.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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