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Esperanças para uma população que envelhece

Na última semana, apareceram notícias animadoras de novas terapias que, no futuro, podem ser capazes de reduzir o impacto de duas das doenças cada vez mais frequentes em uma população que envelhece, o câncer e o Alzheimer.

Jairo Bouer, O Estado de S. Paulo

26 Julho 2015 | 03h00

A primeira novidade foi anunciada durante a conferência da Associação Internacional de Alzheimer, em Washington (EUA), e divulgada pelos jornais Daily Mail e The New York Times. Um novo estudo mostra que a droga solanezumab foi capaz de retardar em 30% a evolução da doença em seus estágios mais moderados, quando o tratamento é iniciado logo após o surgimento dos primeiros sintomas.

Segundo os especialistas, essa é a primeira novidade no tratamento do Alzheimer na última década. Até então, os remédios disponíveis não tratavam a causa, mas aliviavam temporariamente os sintomas (esquecimento, desorientação, dificuldades cognitivas), ao melhorar o processo de transmissão das informações pelas células nervosas. O problema é que, com a progressão da doença, eles perdiam a eficácia. 

Além dessa nova droga, outras duas terapias da mesma classe estão sendo testadas. Elas são anticorpos monoclonais (substâncias produzidas pelo nosso corpo, mas modificadas e fabricadas em laboratório), que combatem a deposição da proteína beta-amiloide no sistema nervoso central. Essas placas de proteína, que bloqueiam as conexões entre os neurônios, são consideradas hoje a principal causa do Alzheimer. 

O acúmulo da beta-amiloide começa a acontecer de forma regular de 10 a 15 anos antes dos primeiros sintomas ficarem evidentes. A doença afeta hoje cerca de 40 milhões de pessoas no mundo, e esse número deve praticamente dobrar até 2030. Mais de 60% dos casos estão em países em desenvolvimento.

Mas os pesquisadores advertem que, embora os resultados iniciais sejam animadores, novos estudos devem ser feitos para saber se os efeitos são duradouros, se a droga é segura e se os eventuais benefícios observados podem ser extensivos a um número maior de pacientes. Por enquanto, é apenas uma luz no fim do túnel. 

Câncer. Ainda nessa classe de anticorpos monoclonais, têm surgido novidades importantes, também, para outra área da Medicina: o tratamento de diversos tipos de câncer. Na última semana, a Comissão Europeia aprovou o uso do pembrolizumab para casos de melanoma não operável, um tumor de pele extremamente agressivo. Nos Estados Unidos, o FDA já havia aprovado o medicamento para esse uso em setembro de 2014. 

Essa droga e outras da mesma categoria que vêm sendo testadas são uma alternativa importante aos tratamentos disponíveis hoje, como a quimioterapia, que traz muitas complicações e efeitos colaterais. Além disso, elas estão sendo empregadas como uma espécie de “terapia de resgate” para os casos mais graves de diversos tipos de câncer.

O mecanismo de ação é, no mínimo, engenhoso. O nosso sistema imunológico é capaz de identificar e combater eventuais células tumorais que apareçam no nosso corpo, ao identificar alguns marcadores. 

No entanto, alguns tumores usam “armadilhas” para inativar nossas células de defesa, como os linfócitos T. Os linfócitos têm receptores específicos, que se ligam aos “antígenos” apresentados pelo tumor. O problema é que algumas dessas vias de ligação acabam inativando a ação de defesa dessas células, uma estratégia de escape do tumor.

O que os anticorpos monoclonais fazem é oferecer uma espécie de “escudo” para os receptores de nossas células T que, assim, não ficam imobilizadas pelo tumor e podem destruir seu alvo. 

A nova categoria de drogas está sendo testada para diversos tipos de tumores, como pulmão, bexiga, cabeça e pescoço, esôfago e mama, entre outros. Se tudo der certo, no futuro, além dos recursos atuais, contaremos cada vez mais com alternativas para fortalecer nossas defesas no combate ao câncer.

É PSIQUIATRA

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