Família Senna volta à F-1 em equipe estreante

Bruno, sobrinho de Ayrton, assina com a Campos e se torna o 3.º brasileiro em 2010

Livio Oricchio, O Estadao de S.Paulo

30 Outubro 2009 | 00h00

Seis anos de carreira e quatro temporadas completas no automobilismo: foi o que precisou Bruno Senna para chegar à Fórmula 1. Aos 26 anos, completados dia 15, o sobrinho de Ayrton Senna será piloto da também estreante equipe Campos. O anúncio oficial deverá ser feito hoje. Bruno é o terceiro brasileiro confirmado na Fórmula 1 para 2010. Os outros são Felipe Massa, na Ferrari, e Rubens Barrichello, Williams, embora este também não tenha sido oficializado.

"Não posso dizer nada como piloto da Campos enquanto eles não confirmarem minha contratação", disse, ontem, Bruno. Mas sabe-se que ele assinou contrato domingo, quando visitou a sede do time do espanhol Adrian Campos, ex-piloto de Fórmula 1, na cidade de Murcia, na Espanha. Ao contrário do divulgado em várias mídias, a vaga na Fórmula 1 não foi comprada. "Eles acreditam no meu potencial de piloto e no que posso ajudar na campanha de marketing para fechar o orçamento da temporada", explica Bruno, sempre lembrando que espera o anúncio. "O fato de eu não levar patrocinadores não quer dizer que, se me confirmarem, eu não possa levá-los para colaborar com a equipe", explicou.

O mais impressionante na carreira de Bruno é a rapidez com que ascendeu na profissão. Em 2004, com 20 anos, decidiu que desejava ser piloto, como o tio. "Respeito a decisão dele. É isso o que quer", afirmou, na época, Viviane Senna, mãe de Bruno e irmã de Ayrton, embora reconhecesse: "Apesar do aumento na segurança, não há como não me preocupar."

Bruno disputou três etapas da Fórmula BWM na Europa, em 2004, para saber se tinha aptidão para ser piloto. Por orientação de Gerhard Berger, ex-companheiro de Ayrton Senna na McLaren e amigo da família, foi disputar a concorrida Fórmula 3 Britânica, onde permaneceu dois anos. Na sequência, 2007 e 2008, correu na GP2. "Quando o Berger me disse que o Bruno tinha jeito para a coisa, eu quase cai sentada, talvez fosse o que não desejasse ouvir", confessou Viviane. Hoje ela apoia o filho no seu sonho de ser campeão do mundo.

"Bruno sempre foi muito veloz. E compensa a falta de experiência com sua dedicação extrema e inteligência privilegiada", diz Paul Jackson, proprietário do time ISport, com o qual Bruno foi vice-campeão da GP2 em 2008. Ano passado, Bruno e Lucas Di Grassi fizeram um teste com a Honda (hoje Brawn GP), em Barcelona. "Bruno e Lucas realizaram um trabalho realmente profissional", definiu Ross Brawn.

Dentre as quatro escuderias novas na Fórmula 1 em 2010, a Campos é a de melhor perspectiva técnica, já que quem projetou seu carro e o está construindo é o fabricante italiano Gian Paolo Dallara, reconhecidamente capaz, dono do mercado mundial dos carros de Fórmula 3. O motor será Cosworth, o mesmo dos demais estreantes e da Williams.

"O programa de testes infelizmente é curto, mas é o mesmo para todos", disse, ontem, Bruno. "Na Campos ou em outro time, teremos três dias de testes por semana em fevereiro. " O companheiro de Bruno não será brasileiro. Dois pilotos são os mais cotados, hoje, para a vaga: o venezuelano Pastor Maldonado, sexto na GP2 este ano, apoiado pelo presidente Hugo Cháves, e o russo Vitaly Petrov, vice-campeão da GP2. Ambos com muito dinheiro dos patrocinadores.

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