Governo da Itália se diz indignado com decisão sobre Battisti

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, condenou na sexta-feira a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o ex-ativista Cesare Battisti, condenado na Itália por assassinatos na década de 1970.

JAMES MACKENZIE, REUTERS

31 de dezembro de 2010 | 14h15

No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) brasileiro autorizou, por cinco votos a quatro, a extradição de Battisti por crimes comentidos quando integrava a organização Proletários Armados pelo Comunismo (PAC).

A corte deixou, no entanto, a palavra final sobre o assunto para Lula, que termina seu mandato no sábado. Battisti cumpre prisão preventiva em Brasília desde 2007 e recebeu do então ministro da Justiça, Tarso Genro, o status de refugiado político.

"Expresso profunda amargura e pesar pela decisão do presidente Lula de negar a extradição de Cesare Battisti, um múltiplo assassino, apesar dos pedidos insistentes e das requisições de todos os níveis da Itália", disse Berlusconi em nota.

"Trata-se de uma escolha contrária ao senso mais elementar de Justiça", ele disse, acrescentando que o governo irá estudar suas opções para mudar a decisão.

"Considero que essa situação não está fechada: a Itália não desiste e fará valer todos os seus direitos", ele disse.

O ex-ativista fugiu em 1981 para a França, que acolheu italianos sob a condição de que abandonassem a luta armada. Battisti deixou a França em 2007 após a revogação de sua condição de refugiado e veio definitivamente para o Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores disse que o embaixador da Itália no Brasil irá conversar sobre o caso com a presidente eleita Dilma Rousseff assim que possível, e será chamado a Roma para consultas.

A decisão de Lula, tomada um dia antes de entregar o mandato, já havia sido antecipada pela mídia brasileira nesta semana.

Berlusconi aproveitou bastante sua relação de amizade com Lula no passado, e o Parlamento italiano deve aprovar um acordo de cooperação com o Brasil em 11 de janeiro, mas tem havido indignação generalizada sobre a questão do ex-ativista.

O ministro da Defesa, Ignazio La Russa, disse que a decisão era uma afronta às famílias das vítimas e ao governo italiano.

"Apenas pelo fato de o Lula ter esperado o último momento de seu mandato é um sinal de sua falta de coragem", disse ao canal SkyTG24. "É uma desgraça. Eu nunca cansarei de dizer isso."

A condenação à posição brasileira vem de todos os lados do espectro político na Itália e o caso está sendo seguido de perto pela mídia.

"Por aqueles que realmente sofreram, eles deverão concordar com a extradição", disse a moradora de Roma Silvana Strozzi à Reuters TV.

"O fato de que ele pediu para ser um refugiado político é apenas uma desculpa, uma coisa que veio depois do fato. Aqueles que sofreram não têm direito à Justiça?".

(Reportagem adicional de Gabriele Pileri)

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