Governo será firme em votação do mínimo; CUT já defende R$560

A dois dias da votação do projeto de salário mínimo de 2011 pelo Congresso, a presidente Dilma Rousseff reuniu a coordenação de governo nesta segunda-feira e reafirmou que não há mais negociação em torno do valor de 545 reais. Do outro lado, a CUT admitiu pela primeira vez reduzir a demanda de 580 reais para 560 reais, valor que equivale a emendas de deputados.

REUTERS

14 de fevereiro de 2011 | 14h10

O governo definiu ainda que apenas depois da aprovação do mínimo será discutida a correção da tabela de Imposto de Renda da pessoa física, segundo o ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio.

"Acreditamos que os aliados não faltarão ao país", disse a jornalistas o ministro após a reunião, ressaltando que não haverá sanções contra parlamentares que votarem contra a proposta.

Já o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), também presente ao encontro com a presidente, deixou claro que agirá com firmeza no primeiro teste político de Dilma no Congresso.

"Não há nenhuma discussão no governo que altere o valor de 545 reais. Ele é fruto de um acordo e o governo será firme no convencimento da base para aplicação desse acordo", afirmou.

Segundo ele, há algumas bancadas como do PSB e do PDT que ainda conversam para se unir à posição do governo.

"O PMDB, o PR, o PT e o PP já estão bastante definidos. No caso do PT, não tem nenhuma discussão interna de outro valor que não seja esse. O ministro Luiz Sérgio e eu faremos uma reunião com a base amanhã ao meio-dia e teremos uma avaliação mais precisa:, avaliou Vaccarezza.

"O que podemos adiantar é que nessa semana o apoio aos 545 reais está muito mais consolidado, o que nos dá uma certa tranquilidade nessa discussão", acrescentou.

A votação está marcada para quarta-feira. Na terça, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, participará na Câmara de uma comissão geral que debaterá o tema com todos os parlamentares e que terá a presença das centrais sindicais. A oposição apresentará no plenário propostas para elevar o valor a 560 e 600 reais.

Artur Henrique Silva, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), disse à Reuters que as emendas de 560 reais levam em conta proposta de sindicalistas negada pelo governo Dilma. Até agora, as centrais defendiam publicamente 580 reais.

"Os 560 reais embutem 3 por cento a título de aumento real, antecipando parcela dos 13 por cento previstos para 2012", disse Artur. "Defendo o acordo com o governo e uma excepcionalidade para 2011", acrescentou, citando o acerto que prevê inflação do ano anterior e PIB de dois anos antes.

O líder do governo, no entanto, ameaçou os parlamentares da base. "Quem votar nos 560 reais está votando contra o governo", disse Vaccarezza.

TABELA DO IR

Quanto à tabela do IR, Luiz Sérgio afirmou que o governo tem "vontade" de conceder o reajuste.

"A correção da tabela do Imposto de Renda é possível. Evidentemente, será debatida tão logo possamos superar a matéria relativa ao salário mínimo. Não é que esteja atrelada (a aprovação)", disse. "É que os recursos saem todos da mesma fonte e precisamos ter responsabilidade em relação a isso. Cada dia com a sua agonia", acrescentou.

O índice deve ser, afirmou, de 4,5 por cento, enquanto as centrais sindicais defendem um reajuste em linha com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que fechou 2010 em 6,47 por cento.

Para o presidente da CUT, "não tem troca do mínimo pelo Imposto de Renda".

(Reportagem de Jeferson Ribeiro, em Brasília, e Carmen Munari, em São Paulo)

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