Incertezas pedem 'cautela' à política monetária

O Banco Central piorou a perspectiva de inflação para este e para o próximo ano e afirmou que a política monetária deve ser conduzida com cautela diante das incertezas que permanecem, informou a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Reuters

14 de março de 2013 | 09h45

"Embora essa dinâmica desfavorável possa não representar um fenômeno temporário, mas uma eventual acomodação da inflação em patamar mais elevado, o Comitê pondera que incertezas remanescentes --de origem externa e interna-- cercam o cenário prospectivo e recomendam que a política monetária deva ser administrada com cautela", afirmou o BC no documento.

Na semana passada, o Copom decidiu manter a Selic na mínima histórica de 7,25 por cento ao ano pela terceira vez seguida, mas deixou a porta aberta para elevá-la, ao retirar a expressão "por um período de tempo suficientemente prolongado", ao se referir às condições monetárias.

O BC continuou piorando suas projeções de inflação tanto para este ano quanto para 2014. Pelos cenários de referência e de mercado, as estimativas de inflação de 2013 subiram e se encontram acima do centro da meta, de 4,5 por cento pelo IPCA. Na ata de janeiro, a autoridade monetária já havia elevado suas contas para a inflação, que também estavam acima da meta

"Para 2014, a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se encontra acima do valor central da meta, em ambos os cenários", acrescentou o BC. No documento de janeiro, no entanto, o BC havia informado que as projeções estavam "ligeiramente acima" da meta.

Como já havia dito no comunicado divulgado imediatamente após a reunião da semana passada, o Copom afirmou que "irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária".

Apesar de mostrarem algum arrefecimento nas últimas semanas, os preços continuam pressionados e existe a possibilidade a inflação medida pelo IPCA estourar o limite da meta --de 4,5 por cento mais 2 pontos percentuais-- em algum momento neste semestre. Em fevereiro, o índice acumulou alta de 6,31 por cento em 12 meses.

O BC voltou a sublinhar os perigos da alta dos preços, mas nesta ata trocou o parágrafo de lugar e o aproximou da informação sobre a decisão de manter o juros em 7,25 por cento.

"Taxas de inflação elevadas subtraem o poder de compra de salários e de transferências, com repercussões negativas sobre a confiança e o consumo das famílias. Por conseguinte, taxas de inflação elevadas reduzem o potencial de crescimento da economia, bem como de geração de empregos e de renda", disse ata. No documento de janeiro, esse parágrafo estava logo após o intertítulo "implementação da política monetária".

No mercado futuro de juros, as apostas apontavam para uma alta da Selic em abril, quando o Copom se reúne novamente. Já a pesquisa Focus feita pelo BC junto a cerca de 100 instituições mostra que um novo ciclo de alta dos juros começará em outubro, atingindo no final do ano o patamar de 8 por cento.

(Reportagem de Tiago Pariz; Edição de Alexandre Caverni)

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