Inclusão social na cadeia de fornecedores das empresas

Programa faz a ponte entre multinacionais e pequenas empresas criadas por deficientes, negros e índios

Andrea Vialli, O Estadao de S.Paulo

25 de novembro de 2009 | 00h00

Grandes multinacionais estão incorporando em suas cadeias de fornecedores pequenas e médias empresas criadas por empreendedores de minorias étnicas e sociais (deficientes físicos, indígenas, negros). O programa de aproximação entre os dois grupos está em operação desde 2001 e já reúne um banco de dados formado por 346 empresas fornecedoras e 41 grandes empresas que contratam esses serviços. São companhias como IBM, Santander, DuPont e Unilever, que nos últimos três anos geraram US$ 55 milhões em negócios voltados à inclusão social desses grupos.

"A proposta é incluir fazendo negócios. Ao contratar esses fornecedores, as empresas fortalecem o empreendedorismo entre minorias. As pequenas, por sua vez, devem apresentar produtos e serviços competitivos", explica Marcos Zoni, presidente executivo da Integrare, organização civil (Oscip) que faz a ponte entre os microempresários e as multinacionais.

O empresário Péricles Ferrão, dono da Valfer Engenharia, empresa de manutenção industrial de Jundiaí (SP), está há cinco anos no programa. Engenheiro, ele possui uma deficiência física - perdeu uma das mãos em um acidente, aos 19 anos - e gerencia sua empresa ao lado de dois filhos. Após participar do programa, viu uma oportunidade de negócio: desenvolver, sob medida para a indústria, bombas pneumáticas para produção de gases refrigerantes.

"Até então, o mercado era dominado por bombas importadas dos Estados Unidos e Itália, que demandam excesso de manutenção e muitas peças de reposição", diz Ferrão.

Com o novo produto em mãos, conquistou clientes como DuPont, Frigelar e Honeywell - com esta, assinou um contrato de R$ 500 mil para a fábrica da General Motors, em São Caetano do Sul. "Estamos buscando crescer mais, e o programa nos dá visibilidade."

A gigante do setor químico DuPont é uma das empresas que fazem parte do Integrare que mais contratam esses fornecedores. Passou de US$ 500 mil de compras anuais, em 2003, para US$ 10 milhões em 2008. Para este ano, a expectativa é fechar US$ 12 milhões em contratos com esses fornecedores, um incremento de 20% em relação ao ano passado, afirma Robert Suquet, diretor de Compras da DuPont do Brasil.

"Além da inclusão social, os fornecedores são flexíveis. Com o tempo, vão ganhando experiência e competitividade, o que torna um bom negócio para ambas as partes", diz Suquet. Entre os fornecedores da DuPont estão pequenas empresas que prestam serviços de manutenção, engenharia e recursos humanos.

Em média, 30% do quadro de empresas da Integrare fazem negócios regularmente com as grandes empresas. A meta, explica Zoni, da Integrare, é aumentar a penetração desses fornecedores na cadeia de suprimento. Este ano, o programa recebeu um aporte de R$ 2 milhões do Sebrae e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para expandir sua atuação para todo o País.

MODELO AMERICANO

A inspiração para o trabalho da Integrare veio de uma entidade americana com o mesmo perfil, a National Minority Supplier Development Council, ou NMSDC, que movimenta negócios superiores a US$ 100 bilhões/ano. Na prática, a versão brasileira está recebendo ajustes.

"Os próximos passos incluem estimular o empreendedorismo feminino e também conceder microcrédito", diz Zoni, que também é diretor de eficiência do banco Santander. Segundo ele, a área de microcrédito do banco espanhol deve abraçar a proposta em breve.

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