Iranianos vão às urnas escolher novo Parlamento

Grande número de candidatos reformistas rejeitados deve causar baixo comparecimento eleitoral

Da BBC Brasil, BBC

14 de março de 2008 | 07h50

Os iranianos começaram a votar nesta sexta-feira, 14, para escolher seu novo Parlamento, em eleições que, para analistas, não devem mudar significativamente a estrutura política do país.   Veja também:  Líder supremo pede que iranianos compareçam às urnasMais de 4,6 mil candidatos competem por 290 lugares no Parlamento iraniano. Quase 40% dos 7.597 candidatos que originalmente se inscreveram foram desqualificados em um sistema que reprovou qualquer um que tivesse um passado considerado inadequado para um parlamentar. A maioria dos candidatos rejeitados são reformistas. "Os reformistas parecem ter desistido após a desqualificação por suposta falta de lealdade para com os valores islâmicos", afirma o enviado da BBC à capital iraniana, Jon Leyne. "A reação de vários iranianos a essa falta de opções é simplesmente não votar", diz ele. Baixo comparecimento O governo fez apelos para que a população compareça às urnas para desafiar o que chamou de 'inimigos do Irã', os Estados Unidos e outros países. Apesar disso, espera-se que o comparecimento seja baixo, especialmente na capital, Teerã. "Não vou votar por causa da desqualificação sem motivos de candidatos", disse Yusef, 30 anos de idade, da cidade de Shiraz. O analista político Ali Ansari, especialista em Irã da universidade britânica de St. Andrews, estimou que a participação no pleito deve ser "da ordem dos 40%". "Uma presença maior dos eleitores poderia significar uma rejeição maior do governo, mas essa participação deve ser baixa, menor até do que os 50% que quer a administração do presidente (Mahmoud) Ahmadinejad para mostrar que o pleito teve legitimidade", afirmou ele à BBC Brasil. Perspectivas Correspondentes acreditam que pode ocorrer uma disputa entre setores conservadores rivais, com ex-integrantes da Guarda Revolucionária (setor de elite das Forças Armadas iranianas) conquistando espaços que eram de grupos religiosos e se tornando o maior grupo político do Parlamento. A posição do supremo líder, o aiatolá Ali Khamenei, também deve se fortalecer com a eleição de uma nova geração de parlamentares linha-dura. Desde a revolução de 1979, o poder político do Irã está nas mãos dos aiatolás, os maiores líderes religiosos da vertente xiita do islamismo. Apesar de ser criticado pela forma como tratou de temas econômicos, o governo conservador de Ahmadinejad não deve ser ameaçado com essas eleições. Novas eleições presidenciais estão marcadas para o ano que vem. Correspondentes afirmam que, seja qual for a composição do novo governo, não deve haver mudanças em relação a assuntos como a política externa ou a questão nuclear. O Irã é acusado por vários países ocidentais de usar seu programa de enriquecimento de urânio como fachada para a construção de armas, coisa que o governo iraniano nega. Muitos dentro do Irã dizem que a população iraniana está mais preocupada com a alta taxa de desemprego e de inflação do que com polêmicas internacionais. Mesmo assim, para analistas, este descontentamento não deve se refletir nas urnas, desta vez.     Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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