Lukashenko promove repressão em Belarus após vitória nas urnas

Pelo menos sete candidatos eleitorais e centenas de manifestantes oposicionistas estavam detidos na segunda-feira, depois de a polícia ter reprimido um protesto contra a reeleição do presidente bielorrusso Alexander Lukashenko.

ANDREI MAKHOVSKY E RICHARD BALMFORTH, REUTERS

20 de dezembro de 2010 | 16h09

Lukashenko, que foi criticado por monitores eleitorais internacionais por contagem falha dos votos e ação violenta da polícia, acusou os manifestantes de banditismo.

"Não haverá revolução nem criminalidade em Belarus", disse, acrescentando que as forças de segurança agiram com firmeza contra a "barbárie e destruição" de militantes.

Lukashenko descreveu também como amorais as críticas feitas por uma missão de observadores da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa, que vigia o respeito pela democracia e os direitos humanos.

Após uma noite de caos no centro de Minsk, envolvendo a polícia de choque e milhares de manifestantes, a comissão eleitoral central declarou na madrugada que Lukashenko, no poder desde 1994, obteve quase 80 por cento dos votos.

Partidos oposicionistas dizem que partidários do presidente, que tem 56 anos e é ex-diretor de fazenda estatal soviética, fraudaram a eleição na etapa da contagem dos votos, como teria sido feito em 2006.

Em um veredicto que pode ter consequências para as relações futuras de Belarus com o Ocidente e a União Europeia, a missão da OSCE descreveu a contagem dos votos como falha e disse que a ação policial contra os manifestantes pecou por excesso de brutalidade.

Uma avaliação positiva da OSCE tinha sido vista como crucial para a possível concessão de ajuda financeira da UE à economia da ex-república soviética.

Mas uma missão observadora paralela da Comunidade de Estados Independentes, liderada pela Rússia, não criticou a eleição.

Em Moscou, o presidente russo Dmitry Medvedev disse que a eleição foi uma "questão interna" de Belarus. Ele não comentou a repressão policial.

Em comunicado do Ministério do Interior bielorrusso, a polícia justificou sua ação, dizendo que manifestantes tinham tentado invadir o prédio governamental principal.

Até 10 mil pessoas marcharam na noite de domingo pela capital de Belarus, sob a neve, gritando "Fora!", "Viva Belarus" e outros slogans anti-Lukashenko, em uma das maiores manifestações contra os 16 anos de governo linha dura do presidente.

Foi quando a polícia de choque entrou em ação, espancando pessoas com cassetetes na Praça da Independência. Alguns manifestantes atiraram pedras e bolas de neve contra os policiais.

Várias pessoas foram deixadas deitadas no chão, e outras foram colocadas à força em viaturas policiais.

Um líder oposicionista, Vladimir Neklyayev, foi espancado por policiais.

Sua mulher, Olga, disse que mais tarde ele foi levado por policiais de seu leito no hospital, onde se recuperava de traumas na cabeça. Ela disse que tentou em vão descobrir com as autoridades o paradeiro de seu marido.

Além de Neklyayev, Andrei Sannikov, de 56 anos, e pelo menos cinco outros candidatos dos nove que concorreram com Lukashenko na eleição estavam detidos, disseram o site pró-direitos humanos Vyasna (Primavera) e assessores dos oposicionistas.

A promotoria pública disse que alguns dos líderes dos protestos podem enfrentar até 15 anos de prisão por suscitar agitação de massas.

(Reportagem adicional de Lidia Kelly e Gabriela Baczynska em Varsóvia, Luke Baker em Bruxelas, Brian Rohan em Berlim e Denis Dyomkin em Moscou)

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