Marcas de luxo invadem mercado brasileiro

Italiana Lamborghini inaugura hoje loja em São Paulo

Cleide Silva, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

22 de outubro de 2009 | 00h00

A crise derrubou a venda de carros de superluxo nos mercados desenvolvidos e o Brasil, visto como um dos menos afetados no cenário internacional, está sendo o refúgio de várias marcas que ensaiavam sua entrada no País há vários anos. Elas vão disputar um nicho de mercado que não supera 200 unidades anuais. O volume parece insignificante diante de vendas projetadas de 3 milhões de novos veículos neste ano, mas é muito atrativo, já que os modelos chegam a custar mais de R$ 1 milhão.

Hoje, será aberta em São Paulo a primeira loja oficial da Lamborghini no País, pela Via Itália, grupo que já importa as também italianas Ferrari e Maserati. O diretor de relações internacionais da empresa, Jaroslav Sussland, conta que estarão expostos apenas três dos cinco modelos previstos para a inauguração, pois dois já foram vendidos.

A previsão da marca é de comercializar 10 a 12 unidades neste ano e 20 no próximo. Os preços dos modelos Gallardo LP 560-4 cupê e conversível são, respectivamente, de R$ 1,5 milhão e R$ 1,7 milhão - dinheiro suficiente para a compra de 70 carros populares.

Sussland calcula que o segmento de carros esportivos de luxo não venda mais do que 100 unidades anuais no Brasil. Somando modelos de alto luxo de outras categorias, o volume não chega no máximo a 200 unidades, afirma Sérgio Habib, ex-presidente da Citroën do Brasil, representante no País da Jaguar e, a partir de fevereiro, da Aston Martin.

Foram quase três anos de negociação para obter a licença da marca inglesa, que vai investir US$ 4 milhões para o lançamento da marca, incluindo a loja. Para o evento, ele negocia a vinda ao País do ator Daniel Craig, que interpreta no cinema o agente 007 - que dirige um Aston Martin.

O executivo espera vender 30 unidades ao ano de cinco versões do Aston Martin, com preços entre R$ 650 mil e R$ 1,5 milhão. "As empresas estão percebendo que o Brasil, como parte do Bric (grupo de emergentes que inclui também Rússia, Índia e China) é um mercado que ficar cada vez maior", diz Habib.

Ferrari, Maseratti, Lamborghini, Aston Martin e Bentley vendem, em média, 6 mil unidades por ano no mundo todo. Já marcas como Pagani e Spyker não vendem mais do que 100 unidades. Com a queda das vendas em mercados como EUA e Europa, os emergentes têm sido alternativas para novos negócios.

A próxima marca a chegar ao País é a Bentley, que será importada pelo grupo Rodobens. O grupo Platinuss, que no ano passado trouxe as duas primeiras unidades do Pagani Zonda, também passou a representar a Spyker - com preço mínimo de R$ 1,1 milhão - e em breve iniciará a importação da marca inglesa Caterham. Dos dois modelos Zonda trazidos até agora, e oferecidos por R$ 4 milhões e R$ 4,5 milhões, só o mais caro foi vendido, a um consumidor da Espanha.

MOTOCICLETAS

O setor de motocicletas premium é outro que se destaca no País. Paulo Izzo, do Grupo Izzo, importador de 10 marcas, diz que o Brasil, antes visto com um "lixão"para modelos que encalhavam lá fora, agora atrai investidores. "No passado, as marcas ofereciam para a gente produtos que sobravam lá fora; agora estão preocupadas em desenvolver produtos com design atraentes ao mercado nacional e investindo na montagem em Manaus."

O Grupo Izzo representa marcas como Harley Davidson, Buell, Malaguti, MV Agusta e Ducati, com preços que variam de R$ 14 mil a R$ 270 mil. No ano passado, vendeu 7,5 mil motos e registra, desde 2004, crescimento anual de 75%. Em outubro, o grupo inaugura quatro lojas exclusivas da Ducati - considerada a Ferrari das motocicletas - e cinco da Triumph.

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