MEC cancela Enem de abril

O Ministério da Educação desistiu de fazer duas edições do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano. A prova planejada para os dias 28 e 29 de abril foi cancelada. Relatório encomendado pelo MEC a uma empresa de análise de risco concluiu que não há estrutura para que o governo controle duas edições da prova em um ano. A edição única do Enem de 2012 será nos dias 3 e 4 de novembro.

LISANDRA PARAGUASSU, Agência Estado

20 de janeiro de 2012 | 20h44

A promessa de fazer duas edições está presente desde que o ministro da Educação, Fernando Haddad, lançou o super Enem, em 2009. O próprio Haddad afirmou, em entrevista ao programa de rádio Bom Dia, Ministro, na quinta-feira, que "o coroamento do Enem passa por duas edições por ano".

A intenção era de que os estudantes pudessem fazer duas provas ao ano e escolher a melhor nota para se candidatarem às bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) e no Sistema de Seleção Unificada (Sisu), de vagas nas universidades federais. Um sistema semelhante ao SAT americano que, na verdade, tem várias edições anuais.

Até hoje, no entanto, o MEC não conseguiu transformar o plano em prática. Há um mês, foi contratada uma empresa, a Módulo, especializada em analisar riscos de operações, para fazer uma verificação em todos os processos que envolvem o Enem.

"Depois que ela conheceu todo o processo do Enem, nós fizemos uma pergunta: queríamos saber se duas edições ao ano estressaria a máquina que foi montada para o evento", explicou Haddad à reportagem. A conclusão é de que o sistema não vai funcionar com duas edições ao ano - ao menos na atual estrutura.

O próprio ministro já havia dado indícios de que, apesar da promessa e da data marcada, o exame seria cancelado. Na quinta-feira, chegou a afirmar que a decisão da Justiça do Ceará, que obrigava o ministério a dar acesso de todos os 4 milhões de estudantes às suas provas de redação, só pioraria a situação.

Problemas - Desde sua ampliação, em 2009, o exame já enfrentou diversos problemas. No primeiro ano, um funcionário temporário da gráfica onde estava sendo impressa a prova conseguiu sair com uma cópia e tentou vendê-la ao jornal "O Estado de S.Paulo", que denunciou o caso ao ministério. A prova teve de ser cancelada e aplicada em dezembro.

Em 2010, problemas de impressão fizeram com que um dos cadernos tivesse questões duplicadas. Outro problema foi uma falha na ordem das questões nos cadernos de provas e cartões de respostas.

Em 2011, um professor e um funcionário do Colégio Christus, de Fortaleza, usaram questões usadas em um pré-teste do Enem. Os dois foram indiciados pela Polícia Federal e a prova teve de ser cancelada para 1.139 alunos do colégio. Depois disso, as disparidades nas notas de redação dos candidatos depois dos pedidos de revisão das notas trouxeram mais dúvidas sobre o exame.

Haddad defende o Enem - "São processos complexos. Temos de compreender isso e aperfeiçoar. E isso tem sido feito", disse. "Não há no mundo um exame nacional do ensino médio que não passe pelos programas que enfrentamos aqui, como as tentativas de fraude."

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