MEC reprova cursos de Mackenzie e PUC

No total, 21 instituições públicas e privadas foram punidas; todas terão de assinar protocolo de compromisso e realizar melhorias

OCIMARA BALMANT , RAFAEL MORAES MOURA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2013 | 02h03

Três das instituições privadas mais tradicionais do Estado de São Paulo tiveram cursos reprovados pelo Ministério da Educação (MEC): a Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) e a Universidade Presbiteriana Mackenzie, na capital, e a PUC-Campinas, no interior.

Elas estão entre as 21 instituições que tiveram, na soma, 38 cursos reprovados. Os cursos receberam notas baixas e serão punidos com a suspensão da autonomia, o que impede, por exemplo, a ampliação das vagas. As instituições também não podem oferecer o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).

Na PUC-SP, as licenciaturas de História e Geografia receberam nota insuficiente. "São áreas em que o País é carente de profissionais. Com acesso bloqueado ao financiamento, menos pessoas se interessarão pela profissão", diz a reitora da PUC-SP, Anna Maria Cintra.

Segundo ela, a PUC-SP aguarda que o MEC envie os detalhes da avaliação para decidir quais medidas serão tomadas. "São cursos com corpo docente muito qualificado, quase 100% dos professores são doutores."

No Mackenzie, o reprovado foi o curso de Arquitetura e Urbanismo, que tem mais de 2 mil universitários matriculados. A instituição criou uma comissão interna de avaliação para mapear os indicadores a serem divulgados pelo MEC.

"Queremos entender a razão pela qual isso aconteceu. Ver se, talvez, não há um desequilíbrio entre o que nossas disciplinas oferecem e o que o exame cobra dos alunos", diz o coordenador do curso, Paulo Correa. Por lá, para que os estudantes não percam o Fies, a mantenedora vai bancar o financiamento.

Da PUC-Campinas, foram reprovados Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Educação Física, Engenharia Civil, Letras (Português e Inglês) e Química.

Punição. O ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse que não vai dar "colher de chá" para os cursos reprovados, que serão obrigados a assinar protocolo de compromissos para corrigir as deficiências.

"Não vai ter jeitinho, não tem colher de chá e se o plano de melhoria não for muito bem elaborado, não há a menor possibilidade de abertura de vestibular. Vender aula não é vender sabonete, (você) está formando um profissional", afirmou.

As instituições terão de ajustar em 60 dias as questões relacionadas a corpo docente (número mínimo de professores com mestrado e doutorado e com dedicação exclusiva) e em 180 dias os problemas de infraestrutura (biblioteca, salas e equipamentos tecnológicos obrigatórios).

Mercadante defendeu a aprovação do projeto de lei que cria o Instituto Nacional de Supervisão e Avaliação da Educação Superior (Insaes), voltado para a supervisão e a avaliação de instituições e cursos de educação superior no sistema federal de ensino. "Pretendemos fazer tudo mais rápido, precisamos de mais funcionários de carreira, mais servidores", afirmou o ministro.

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