Mineradora teme que demissões causem mais violência na África do Sul

A mineradora Lonmin teme que a demissão de 3.000 grevistas na África do Sul, caso não voltem ao trabalho nesta terça-feira, cause mais uma onda de violência, depois de a polícia ter matado 34 mineiros na semana passada, em um episódio que despertou lembranças da era do apartheid.

SHERILEE LAKMIDAS, Reuters

21 de agosto de 2012 | 10h51

A maioria dos grevistas continua sem trabalhar, alegando que já se sacrificaram demais para voltarem. Helicópteros da polícia sobrevoam a mina de platina de Marikana, cerca de 100 quilômetros a noroeste de Johanesburgo, enquanto policiais fortemente armados patrulham o terreno.

A britânica Lonmin, terceira maior produtor mundial de platina, disse que um terço dos seus 28 mil trabalhadores de Marikana já voltou ao trabalho, mas que isso é insuficiente para retomar a exploração de minério.

Os 3.000 grevistas que restam são na maioria operadores de sondas, que estão na linha de frente do trabalho de detonar as pedras no subsolo. As preocupações com a segurança são um dos motivos da paralisação.

Ignorando as ameaças de demissão, uma multidão de mineiros se aglomerou perto do local do massacre da semana passada.

Mark Munroe, vice-presidente executivo de mineração da Lonmin, admitiu a uma rádio local que "não vai ajudar ninguém se a Lonmin sair por aí demitindo um monte de gente por não aparecer para trabalhar hoje. Isso vai nos jogar para trás significativamente em termos de violência, em termos de construção de confiança".

Há alguns meses, funcionários de outra mina de platina protagonizaram cenas de violência por causa da demissão de colegas que haviam organizado uma greve considerada ilegal pelas autoridades.

Três trabalhadores foram mortos no incidente de fevereiro na mina Impala Platinum, segunda maior produtora de platina do mundo, que na ocasião demitiu 17,2 mil grevistas. A paralisação causou à empresa um prejuízo em torno de 290 milhões de dólares.

Parlamentares sul-africanos realizaram um culto religioso em homenagem às vítimas da violência policial da semana passada na mina Marikana, mais grave incidente na África do Sul desde o fim do regime racista do apartheid.

A principal razão para a greve na mina é uma disputa entre dois sindicatos, o poderoso NUM e o ascendente AMCU. Dirigentes do NUM disseram que o conflito pode se espalhar, complicando as relações trabalhistas no país e assustando investidores.

(Reportagem adicional de Peroshni Govender em Marikana)

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