Ministro compara SP à Palestina e reabre bate-boca

Um dos interlocutores mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse ontem que a onda de violência na Grande São Paulo mata mais gente que o conflito na Palestina.

RAFAEL MORAES MOURA, Agência Estado

21 de novembro de 2012 | 08h53

"Ontem (segunda-feira, 19) a gente estava alarmado com os mortos na Palestina e as estatísticas mostram que só na Grande São Paulo você tem mais gente perdida, assassinada, do que num ataque nesses. A gente tem de ter consciência disso", disse o ministro a jornalistas, após cerimônia no Palácio do Planalto.

Carvalho também defendeu que o problema de segurança em São Paulo não seja alvo de "utilização política ou partidária", por se tratar de uma questão "muito grave". "A gente nunca deve vender ilusões, sabe que os problemas se desenvolvem durante longo tempo, criam tal raiz que depois o combate a esse problema e a essas raízes nunca se dá de maneira imediata, abrupta, tão rápida quanto a gente sonharia."

A reação veio rápida. Para o governador Geraldo Alckmin (PSDB), a comparação foi "infeliz" e "não merece comentário". Já o presidente estadual do PSDB, Pedro Tobias, divulgou nota dizendo ser "lamentável que o governo federal mantenha no cargo um ministro de Estado que se especializou no ofício de degradar o cargo que ocupa para fazer politicagem eleitoral". "A frase revela ignorância e má-fé."

Parceria

Carvalho também falou do acordo com o governo paulista. "O passo que eu quero saudar é que finalmente houve por parte do governo de São Paulo aceitação dessa parceria com o governo federal, todos temos a ganhar com isso, particularmente a população de São Paulo. (A violência) não é um problema de fácil solução. Temos de ter a humildade de reconhecer a complexidade dessa questão, quando o crime se estrutura, se organiza e, se dá um tempo pra que ele faça isso, não teremos o resultado tão rápido quanto gostaríamos."

Sobre a polêmica declaração do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que afirmou na semana passada preferir morrer a passar muitos anos na prisão, Carvalho respondeu: "A declaração foi dada em um contexto muito especial. Independentemente dela, acho que todo mundo no Brasil infelizmente sabe das nossas condições carcerárias. E eu acho que é dever nosso, de fato, batalhar, lutar e trabalhar para mudar essa condição. Não é fácil a solução. Se fosse fácil, já teria sido resolvido".

Carvalho considerou que Cardozo tem "razão e honestidade" em reconhecer as péssimas condições penitenciárias brasileiras, mas defendeu a atuação do governo federal, em parceria com os Estados, na busca de uma solução. "Não dá pra ficar insensível naturalmente à condição desse empilhamento humano. A prisão foi feita para um processo de reeducação, não para degradar o ser humano. Insisto que não é simples. Toda a questão prisional, assim como a questão da organização do crime, se torna cada vez mais alarmante."

Escola. Em audiência na Câmara, Cardozo voltou a falar do tema. "Não podemos ter no sistema carcerário uma escola de criminalidade", disse. "Chefes do crime organizado têm de ir para presídios de segurança máxima, ficar isolados. Pessoas de pequeno potencial ofensivo devem ou seguir um caminho de penas não restritivas de liberdade ou, se forem restritivas de liberdade, colocadas em estabelecimentos que não os transformem em marginais organizados." As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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