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Mubarak não renuncia e frustra manifestantes no Egito

O presidente egípcio, Hosni Mubarak, provocou raiva nas ruas do Egito na quinta-feira, ao fazer um pronunciamento em que anunciou que irá transferir alguns poderes ao seu vice, mas que não irá renunciar imediatamente ao cargo.

EDMUND BLAIR E SAMIA NAKHOUL, REUTERS

10 de fevereiro de 2011 | 20h27

"Fora! Fora!", gritavam milhares de pessoas reunidas na praça Tahrir, no Cairo, epicentro das manifestações das últimas duas semanas contra Mubarak, no poder há 30 anos.

Mas o ex-general de 82 anos não cedeu aos manifestantes, e durante o pronunciamento preferiu se apresentar como um patriota com a obrigação de promover uma transição ordeira até as eleições de setembro, quando deve afinal deixar a Presidência.

Ele elogiou os jovens que deixaram o mundo árabe perplexo com suas inéditas manifestações, e ofereceu mudanças constitucionais que deem mais influência a seu recém-nomeado vice Omar Suleiman.

Agitando seus sapatos acima da cabeça, num clássico gesto árabe de desprezo, a multidão no centro do Cairo mantinha o grito: "Abaixo, abaixo Hosni Mubarak".

Em seu discurso de 20 minutos transmitido pela TV, Mubarak disse que não cederá à pressão internacional -- um recado para Washington, que tem cobrado uma saída rápida do seu antigo aliado --, e afirmou que irá "delegar ao vice-presidente da república as prerrogativas do presidente da república, pela maneira fixada na Constituição".

Suleiman, de 74 anos, ex-chefe dos serviços de inteligência, não é muito popular entre os manifestantes, que reivindicam um rompimento completo com o sistema de domínio militar que há seis décadas vigora no país, o mais populoso do mundo árabe.

Após o discurso de Mubarak, Suleiman apareceu na TV estatal dizendo que já há um "mapa" para a transferência de poderes, e garantiu que irá comandar uma "transição de poder pacífica".

Depois de ter prometido na semana passada que não irá disputar um novo mandato em setembro, Mubarak disse, dirigindo-se aos manifestantes: "Senti toda a dor que vocês sentiram (...). Não vou recuar na minha reação à sua voz e ao seu apelo. Suas exigências são legítimas e justas (...). Não há vergonha em escutar suas vozes e opiniões, mas recuso todo e qualquer ditame do exterior."

"Anunciei meu compromisso de entregar pacificamente o poder depois das próximas eleições", acrescentou. "Vou entregar o Egito e seu povo em segurança."

COMUNICADO MILITAR

Após o discurso da semana passada, muitos egípcios que não pertencem às elites urbanas, as quais representam a vanguarda dos recentes protestos, se disseram satisfeitos com a promessa de mudança, e afirmaram que o mais importante agora seria o fim dos transtornos econômicos provocados pelos protestos.

Mas a raiva nas ruas do Cairo e de Alexandria, a poucas horas das grandes manifestações de sexta-feira - batizadas de "Dia dos Mártires", em homenagem aos pelo menos 300 mortos nos protestos desde 25 de janeiro -, turvava um ambiente onde há forte presença militar.

"Ele (Mubarak) não parece entender a magnitude do que está acontecendo no Egito. A esta altura não acho que (o novo discurso) seja suficiente", disse Alanoud al Sharek, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos. "Ele transferiu a autoridade para Omar Suleiman, mas de alguma forma reteve sua posição como governante."

Mohamed El-Erian, diretor de investimentos da Pacific Investment Management Co., disse: "Diante da intensa frustração com o discurso no Egito, o país entrou nesta noite num período nefasto de extrema tensão e perigo, que só poderá ser resolvido por meio de uma mudança crível de regime que possa ser aceita pela maioria dos egípcios".

Durante o dia, a cúpula militar divulgou o que chamou de "Comunicado No 1", dizendo estar assumindo o controle da nação. Muitos equipararam isso a um golpe militar. Instalou-se então o rumor de que Mubarak poderia renunciar ou ser deposto. Na praça Tahrir, muita gente reagiu com emoção a essa perspectiva, mas alguns já começavam a se mobilizar contra a possibilidade de um regime militar.

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