Mujica aproxima-se de Chávez

Presidente eleito do Uruguai diz que pretende 'relançar' relações entre os dois governos

Efe, AFP e Reuters, MONTEVIDÉU, O Estadao de S.Paulo

10 Dezembro 2009 | 00h00

O presidente eleito do Uruguai, José "Pepe" Mujica, disse ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que pretende "relançar" as relações entre os dois países. Durante a disputa eleitoral, a direita uruguaia acusou o ex-guerrilheiro de ser "chavista", embora durante sua campanha Mujica tenha preferido se distanciar de Chávez e enfatizar suas afinidades com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva.

Entre segunda e terça-feira, Mujica reuniu-se privadamente com todos os presidentes que participaram da cúpula do Mercosul, incluindo Lula, a presidente argentina, Cristina Kirchner, e o líder paraguaio, Fernando Lugo. Mas Chávez acompanhou Mujica em ato público em uma fábrica de vidros que teve o financiamento de Caracas.

Mujica, que toma posse em março, agradeceu o apoio de Chávez e do povo venezuelano. "Sempre reconheceremos aqueles que nos estendem a mão", afirmou. Chávez prometeu ampliar os vínculos com o novo governo uruguaio e aumentar a cooperação com os setores produtivos.

Chávez disse ainda que gostaria de ter combatido sob as ordens do ex-guerrilheiro uruguaio. "Teria ficado honrado de ser soldado nos batalhões que "Pepe" comandou naquela época, nas lutas no Uruguai e na nossa América", afirmou o venezuelano em referência ao período em que Mujica militou no grupo guerrilheiro Tupamaro.

A vitória de Mujica representou a continuidade de um governo de esquerda que já havia estreitado os laços de Montevidéu com Caracas. Durante o encontro, Chávez ressaltou o acordo fechado com o atual presidente uruguaio, Tabaré Vásquez, de garantir "todo o fornecimento de petróleo e gás que o país precisar nos próximos cinco anos".

MOVIMENTO BOLIVARIANO

A Colômbia exigiu ontem à Venezuela que esclareça sua posição sobre um recém criado movimento político que manifestou seu apoio à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que Bogotá considera terrorista. O Movimento Continental Bolivariano, criado na terça-feira em Caracas durante um congresso de partidos e organizações de esquerda de 26 países, expressou seu apoio a grupos insurgentes como as Farc e prometeu defender causas como "a luta contra o imperialismo.

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