Nos EUA, papa elogia raízes religiosas dos norte-americanos

Bento XVI concluiu o discurso proferido na Casa Branca com o famoso lema 'God bless America'

PHILIP ULLELLA E TOM HENEGHAN, REUTERS

16 de abril de 2008 | 15h12

Afirmando ter vindo aos Estados Unidos como amigo, o papa Bento XVI conclamou na quarta-feira, 15, os norte-americanos e seus líderes a basearem suas decisões políticas e sociais em princípios morais e a criarem uma sociedade mais justa. Em um pronunciamento feito diante do presidente do país, George W. Bush, na Casa Branca, no primeiro dia cheio de sua visita aos EUA, o pontífice também pediu por "esforços pacientes da diplomacia internacional para resolver os conflitos" e para incentivar o progresso no mundo todo. "Eu venho aqui como um amigo, um pastor do Evangelho e um homem que nutre um grande respeito por esta vasta sociedade pluralista", afirmou Bento XVI em um discurso proferido após Bush ter dado as boas-vindas ao líder católico em uma cerimônia realizada na Casa Branca, e que incluiu uma salva de 21 tiros. O dirigente dos EUA citou a influência da fé na vida dos norte-americanos, algo que o papa elogiou em declarações dadas a jornalistas que o acompanharam no vôo de ida, ao cruzarem o Atlântico. "Aqui nos EUA, o senhor encontrará uma nação que recebe de braços abertos a influência da religião no cenário público", disse Bush. Bento XVI, que celebra seu aniversário de 81 anos, não poupou elogios à sociedade norte-americana, pontuando seu discurso com referências aos pais fundadores do país - citando a Declaração da Independência e o primeiro presidente dos EUA, George Washington. Mas o papa não se referiu especificamente a questões como o aborto e a guerra no Iraque, em um esforço aparente para evitar qualquer colocação que pudesse dar a entender que tomava partido de alguém nas eleições presidenciais norte-americanas. Bento XVI e Bush opõem-se ao aborto e às pesquisas com células-tronco embrionárias, mas divergem em questões como a guerra no Iraque e a pena de morte. O papa, em seu discurso, falou bastante sobre as raízes religiosas dos EUA. "À medida que esta nação depara-se com as cada vez mais complexas questões políticas e éticas da nossa era, tenho certeza de que o povo norte-americano encontrará em suas crenças religiosas uma fonte valiosa de idéias e inspiração", afirmou. "A democracia só pode florescer, como perceberam os seus pais fundadores, quando os líderes políticos e aqueles a quem representam são guiados pela verdade e quando se utilizam da sabedoria calcada em princípios morais sólidos para tomar decisões concernentes à vida e ao futuro da nação", disse o papa. Bento XVI, que visitará Nova York e a Organização das Nações Unidas (ONU) como parte de sua primeira viagem aos EUA após ter sido eleito papa, é apenas o segundo pontífice da história a comparecer à Casa Branca e o primeiro em quase 30 anos. O papa concluiu o discurso proferido ali com o famoso lema dos EUA: "God bless America" (Deus abençoe a América). O evento na sede do governo norte-americano, realizado a céu aberto, atraiu mais de 9.000 pessoas, fazendo dessa "uma das maiores cerimônias de boas-vindas já realizadas na Casa Branca", afirmou Dana Perino, porta-voz de Bush. (Reportagem adicional de Patricia Zengerle, Matt Spetalnick e Jeremy Pelofsky)

Tudo o que sabemos sobre:
religiãopapaeuabush

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.