Ofensiva no Iêmen mata 30 militantes

Bombardeio contra esconderijo da Al-Qaeda teria matado clérigo que inspirou ataque a base americana

, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

Mais de 30 supostos militantes do grupo terrorista Al-Qaeda foram mortos ontem em um ataque aéreo do Exército iemenita contra seu esconderijo, na Província de Shabwa, no leste do Iêmen. A informação foi divulgada pela Saba, a agência de notícias oficial do país, que qualificou o ataque como "a maior ofensiva contra a Al-Qaeda realizada no Iêmen em muitos anos."

Segundo uma fonte ligada às forças de segurança iemenitas, no momento do bombardeio, os membros da Al-Qaeda faziam uma reunião "para planejar atentados contra interesses iemenitas e estrangeiros, entre eles alvos econômicos-chave".

Entre os mortos estariam o líder da Al-Qaeda na Península Arábica, Nasser al Wahayshi, e o segundo na hierarquia da organização, Saeed al-Shehri. Segundo o governo, também há indícios de que poderia ter sido morto o clérigo radical de origem americana Anwar al-Awlaki. No dia 5 de novembro, um psiquiatra do Exército dos EUA com ligações com Awlaki matou 13 pessoas a tiros na base de Fort Hood, no Texas.

"Os terroristas eram principalmente iemenitas, mas também estrangeiros, sendo um deles saudita. Eles tentavam organizar uma resposta contra os bombardeios da semana passada", disse à Saba uma fonte da inteligência do Iêmen, referindo-se a outra ofensiva militar que matou 34 supostos terroristas da Al-Qaeda em diversas regiões do país no dia 17.

Segundo o jornal The New York Times o Exército iemenita contou com a assessoria de inteligência, armas e apoio logístico dos EUA para realizar as operações. "As forças de segurança continuam perseguindo os terroristas onde quer que eles se escondam. Não haverá tolerância", acrescentou a fonte da inteligência à Saba.

A ampliação das atividades da Al-Qaeda no Iêmen alimenta o temor de que a desestabilização desse país - pobre e com sérios problemas de segurança - acabe respingando na vizinha Arábia Saudita, uma fonte importante de petróleo para diversos países.

O Iêmen é o país no qual nasceu o pai do terrorista Osama bin Laden. Em janeiro, o braço local da Al-Qaeda mudou seu nome para "Al-Qaeda da Península Arábica", o que parece refletir os planos do grupo de ganhar força também nos países vizinhos. Wahayshi vinha ameaçando ataques contra alvos ligados a governos e empresas ocidentais em toda a região e defendia a deposição da família real saudita, apoiada pelos EUA.

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