Países querem investir no verde, diz Mantega

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, durante o seminário de ministros de finanças do G-20, no Riocentro, que a Rio+20 demonstra que os governos estão dispostos a colocar mais dinheiro nas questões ambientais. Mas a criação de um fundo para financiar o desenvolvimento sustentável foi um dos pontos de impasse.

MARIANA DURÃO, GLAUBER GONÇALVES / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2012 | 03h05

Segundo Mantega, os países começando a abandonar formas mais atrasadas de crescimento, que depredam o ambiente e visam apenas ao lucro rápido.

Mas entidades como o Fundo Monetário Internacional (FMI), a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e o Banco Mundial fizeram críticas contundentes. O diretor-geral do Banco Mundial, Mahmoude Mohieldin, sustentou que as discussões em torno da economia verde inclusiva são reflexo do desgaste do sistema econômico atual, que se provou insustentável. Segundo ele, o debate esbarra nos problemas financeiros dos países.

"Os países estão desesperados para o crescimento, independentemente da cor. Então é difícil convencer um país de que o crescimento tem de ser verde", disse. Embora o modelo adotado nos últimos 20 anos tenha tirado 660 milhões de pessoas da pobreza, Mohieldin alertou que isso ocorreu às custas dos capitais naturais do planeta, hoje à beira do esgotamento.

A adoção de políticas fiscais para alavancar o desenvolvimento sustentável com inclusão foi defendida pelo vice-diretor-gerente do FMI, Min Zhu. Citando subsídios dados por governos ao setor energético, Zhu afirmou que eles estimulam o consumo e desincentivam a inovação. Entre suas sugestões, a mais enfática foi a implantação de um imposto sobre emissões de carbono.

O secretário-geral da OCDE, José Gurría, sugeriu medidas similares. "O inimigo é o carbono. Temos de atacá-lo com impostos e atrelar preços (às emissões)."

Ao citar a estratégia brasileira para implementar o desenvolvimento sustentável, Mantega destacou que, apesar de estar crescendo menos, o Brasil continua gerando empregos e tem usado programas sociais que geram renda à população. A construção da hidrelétrica de Belo Monte foi exaltada pelo ministro como um exemplo de projeto sustentável.

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