Para PF, fraude em queijo pode ter proporção nacional

O depoimento de um dos funcionários do laticínio de Uberaba, em Minas Gerais, que adulterava a embalagem de queijo vencido para vendê-lo como novo revelou que o escândalo é maior do que se imaginava. Os primeiros dados colhidos mostram que os fraudadores despejavam 20 toneladas de queijo estragado na capital paulista e em mais quatro cidades do interior do Estado - Ribeirão Preto, Bauru, Guaratinguetá e Presidente Prudente. Mas Polícia Federal (PF) desconfia que o problema tenha proporções muito maiores, talvez nacionais.Para dimensionar o tamanho do problema e reforçar o esquema de combate, a Direção da PF convocou o encarregado da operação, delegado Ricardo Ruiz, da delegacia de Uberaba, para ir a Brasília dar explicações sobre as fraudes em leite e derivados. Ruiz se reúne ao longo do dia com o diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa e com chefes de áreas técnicas e operacionais, inclusive a inteligência. A partir das informações, a PF deve definir uma estratégia mais ousada de combate a quadrilhas que atuam no setor, possivelmente em várias partes do País.O funcionário, com identidade mantida em sigilo, foi preso junto com outras duas pessoas numa diligência da PF no galpão de uma empresa de laticínios em Uberaba. O queijo fraudado era adquirido de graça, como rejeito, ou a preço ínfimo em seis laticínios de Goiás. O produto era levado para Uberaba, onde era desembalado, limpo e reembalado com prazo de validade atualizado e com marcas distintas para confundir a fiscalização. De Uberaba, o produto seguia para supermercados e pontos varejistas da capital paulista e quatro cidades do interior.

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

30 de outubro de 2007 | 20h48

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