Petróleo sobe com aposta de especuladores em estímulo--analistas

Os preços do petróleo estão subindo com os investidores apostando que o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) irá em breve injetar dinheiro na economia e impulsionar o mercado, por medos de uma guerra no Oriente Médio e por preocupações sobre o fornecimento vindo do Mar do Norte, mas a alta parece estar sendo cada vez mais apoiada em suposições especulativas, disseram analistas.

CHRISTO, Reuters

14 de agosto de 2012 | 14h51

O petróleo subiu quase um terço de seu valor em seis semanas, em um período no qual a economia global, e com isso a demanda por petróleo, está extremamente fraca.

Os preços atuais pressupõem que o Federal Reserve vai liberar em breve uma nova rodada de "quantitative easing", que é um programa de compra de títulos, para estimular a economia. Outra possível explicação para a alta seriam temores de que a retórica belicosa entre Israel e Irã gerará conflitos, ou então que os problemas com a produção do Mar do Norte serão de longa duração.

No entanto, nenhum desses fatores é uma aposta segura, e se eles desaparecerem, o preço do petróleo poderia cair acentuadamente.

"O mercado está se esquecendo dos fundamentos", disse Carsten Fritsch, um analista do Commerzbank em Frankfurt, na Alemanha. "Boa parte da força do petróleo está baseada em fatores --como, por exemplo, mais estímulos econômicos nos EUA-- que estão longe de serem garantidos."

O petróleo Brent atingiu a marca de 115 dólares por barril na segunda-feira, seu maior valor em três meses, um aumento de 30 por cento desde o final de junho. O petróleo teve uma alta recorde de 147 dólares em meados de 2008, pouco antes do início da crise de crédito que diminuiu os preços para 36 dólares apenas seis meses depois.

Atualmente, os preços do petróleo estão bastante acima da faixa de 50 a 80 dólares do custo de produção da maioria dos mais novos campos da commodity, um nível que acredita-se ser o piso natural para os preços do petróleo.

Um dos estímulos aos preços tem sido o temor sobre uma queda na produção no Mar do Norte, causada por uma manutenção planejada, o que ajudaria a diminuir a produção de setembro em 17 por cento em diversos países britânicos e noruegueses fornecedores de petróleo.

Por um curto período, o mercado à vista de petróleo do Mar do Norte pode ficar apertado se a demanda por alguns tipos de óleo for superior à oferta, dizem os traders, mas o trabalho de manutenção deve ser finalizado rapidamente, permitindo a retomada do fornecimento.

(Reportagem adicional de Alan Wheatley)

Mais conteúdo sobre:
COMMODSPRECOPETROLEO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.