Planetário se adapta ao novo status de Plutão

O estudante Bruno da Silva, de 10 anos, aluno do Colégio Nossa Senhora da Conceição, não se conformava com o "rebaixamento" de Plutão. Diante do painel com informações sobre o astro na Fundação Planetário, na Gávea, zona sul, ele enumerava as qualidades do ex-planeta, aprendidas na escola. "Ele é o mais distante do sol, o mais gelado e não tem vida. Pra mim, vai continuar sendo um planeta", disse o menino, que descobriu que pesaria 2,8 quilos se estivesse em Plutão. Mas os monitores do Planetário já tinham na ponta da língua a explicação para a mudança de status de Plutão. E ela seria repetida também à noite, quando 23 crianças participariam da programação "Dormindo com as estrelas" - uma vez por ano, a instituição abre as portas para crianças de 7 a 11 anos, em que elas passam a noite no Planetário, observam astros e têm atividades recreativas. "Nós estamos explicando que Plutão mudou de classificação. Ele pertence ao Sistema Solar, mas não será mais chamado de planeta, e sim planeta-anão. Porque ele sempre foi estranho, pequenininho, numa região do Sistema Solar onde só há planetas muito grandes. E agora descobrimos que há outros corpos muito parecidos com ele", diz o astrônomo Leandro Guedes. Guedes acredita que as crianças aceitam mais facilmente a mudança ao observar uma réplica do Sistema Solar suspenso na entrada da instituição. "Elas percebem que Plutão é muito diferente". O astrônomo se preocupa em ressaltar que não é demérito deixar de ser planeta. "Plutão não tem terremoto, nem erosão, vento ou vulcões. E por isso guarda informações importantes sobre a composição química original da nebulosa que formou o Sistema Solar", explica. Nem todos ficaram convencidos com as explicações. "A vida toda estudei nove planetas e agora vou fazer vestibular e Plutão não é mais planeta. Tá doido!", reclamou Viviane Barreto, de 17 anos, aluna do Colégio Módulo. O Planetário está se adaptando ao "rebaixamento" de Plutão. O site da instituição exibe, desde quinta-feira, explicações sobre as mudanças decididas no encontro da União Astronômica Internacional. Na nave-escola, ambiente decorado como uma nave espacial com informações sobre o Sistema Solar, o nicho dedicado a Plutão logo mudará também. Ali ficarão dados sobre os planetas-anões ou transnetunianos - a nomenclatura ainda não foi decidida. O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), em São Cristóvão, prepara debate com astrônomos e historiadores. Alguns dos cientistas estiveram na reunião em Praga. Um dos temas debatidos será as mudanças ocorridas na ciência ao longo dos anos. "Ceres, quando foi descoberto, era um planeta. Depois foi considerado asteróide. E agora passa a ser chamado de planeta-anão", exemplifica Guedes.

Agencia Estado,

25 de agosto de 2006 | 19h15

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