Polícia apreende carro usado em achaque contra Abadía

Veículo teria sido vendido para pagar extorsão; policiais suspeitos ainda não foram afastados

Rodrigo Pereira, Agencia Estado

10 de outubro de 2007 | 09h58

A Corregedoria da Polícia Civil apreendeu na terça-feira, 9, em Vargem Grande, na região de Jundiaí (SP), a Toyota que teria sido vendida pelo operador do megatraficante Juan Carlos Ramírez Abadía, Daniel Maróstica, para pagar parte do resgate da mulher, Ana Maria Stein. Em julho de 2006, ela foi abordada por três homens, que se identificaram como policiais, na Avenida Indianápolis, em São Paulo.   Levada para o Departamento Estadual de Investigação sobre Narcóticos (Denarc), ela só foi liberada após um acerto articulado por um investigador identificado como Diogo - amigo do proprietário de um imóvel que Maróstica alugava.Na negociata, o agente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) Severino Amâncio da Silva levantou a ficha do Land Cruiser Toyota apreendido e alegou que estava em situação irregular. Pediu R$ 60 mil para deixar a documentação em dia, mas fechou por R$ 50 mil.Delegado titular da equipe que abordou Ana Maria, Pedro Luiz Pórrio inicialmente negou o episódio. Na quinta-feira, no entanto, admitiu que Ana Maria teria sido levada à delegacia para 'averiguações' e entregou uma lista com nomes de subordinados. No sábado, a Secretaria de Segurança Pública afastou Pórrio, Silva e outros seis policiais civis suspeitos de seguidos achaques contra integrantes da quadrilha de Abadía.A secretaria confirmou que o veículo apreendido na terça-feira pertenceu a Maróstica. Mas informava não ter afastado outros policiais suspeitos - como o investigador Diogo ou o policial identificado como Pedro, que deixou número de Nextel com Maróstica em uma investida que supostos policiais fizeram contra o empresário para recuperar 'a bica' que tomaram de colegas - foram passados para trás no seqüestro do traficante Henri Lagos, o Pacho, que custou entre US$ 280 mil e US$ 400 mil. Na ocasião, exigiram uma moto de Maróstica, 'para não ficar no prejuízo'.

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