Prefeitos pedem voz em Conferência da ONU sobre clima

Prefeitos de várias partes do mundo reivindicaram hoje a participação direta nas próximas edições da Conferência das Nações Unidas Sobre Mudanças Climáticas (COP). Durante a Cúpula C40, que reúne autoridades das metrópoles para debate sobre o meio ambiente, em São Paulo, os prefeitos alegaram que as cidades têm um papel importante na implementação de iniciativas de adaptação ao aquecimento global e que deveriam negociar as políticas públicas relacionadas ao tema diretamente com os governos federais.

CIRCE BONATELLI, Agência Estado

02 Junho 2011 | 18h09

Por trás desse argumento, também estão em jogo os recursos oriundos de órgãos internacionais para financiar projetos ligados ao meio ambiente. Ontem, na C40, o Banco Mundial formalizou um acordo para que os governos municipais tenham acesso direto ao fundo de US$ 6,4 bilhões da instituição para projetos na área ambiental.

"Como cidades líderes, deveríamos participar das discussões diretamente com os governos federais, o que ainda não acontece nas COPs", afirmou Eckart Würzner, prefeito de Heidelberg, na Alemanha. Ele acrescentou que quase 70% das ações de adaptação às mudanças climáticas serão implementadas nas áreas urbanas, o que evidencia a importância das prefeituras nas discussões.

O discurso foi endossado pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Ele lembrou que os governos municipais são responsáveis pelo contato direto com os cidadãos e que os serviços públicos também estão ligados à emissão de gases causadores do efeito estufa, como rede de transportes, coleta de lixo, construção de parques e plantio de árvores. "Por isso, os municípios devem participar das discussões sobre o clima e das soluções", afirmou.

Tradicionalmente, as conferências das Nações Unidas são encontros de países. Em 1997, em Kyoto, no Japão, vários países assinaram o protocolo que estabelece metas de redução das emissões de gases poluentes.

Hoje, a prefeita da cidade australiana de Sydney, Clover Moore, defendeu que as cidades tenham um porta-voz nesses encontros e apontou como possível representante o presidente da Rede C40, Michael Bloomberg, também prefeito de Nova York. "Nem sempre há um acordo entre os municípios e os governos federais. Então é necessária a presença de alguém como Bloomberg, que nos represente", disse ela.

Ontem, o prefeito de Buenos Aires, Maurício Macri, também reclamou dos desentendimentos entre as esferas do Executivo. "Às vezes, há diferença política entre o governo federal e o municipal. Isso leva as cidades a ficar com apenas uma pequena parcela dos recursos (de financiamentos internacionais)", disse Macri, ao elogiar o acordo anunciado pelo Banco Mundial.

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