Presença de Merkel na Rio+20 é incerta, diz diplomata

O embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig, defendeu nesta segunda-feira a posição europeia de criação de uma agência ambiental global na Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Em entrevista durante o seminário "No Caminho da Rio+20", promovido pela fundação alemã Konrad Adenauer em parceria com o Grupo Estado, Grolig disse que a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel ainda não definiu se virá para a reunião de cúpula da conferência, em junho.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

16 Abril 2012 | 18h41

O embaixador citou como possível obstáculo para as negociações o contexto político internacional e disse que a Alemanha espera resultados concretos. "Essa conferência não acontece no vácuo, não é isolada da conjuntura mundial", declarou Grolig, citando o nível de consciência em relação ao tema ambiental como outro possível obstáculo. "O importante é que não estamos falando sobre o futuro, estamos falando sobre hoje. As expectativas e aspirações são muito altas. Não temos tempo sobrando".

O embaixador disse que, em uma posição unificada com outros países da União Europeia, a Alemanha trabalha para a criação de uma entidade mais forte na área ambiental, com a elevação do status do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), que hoje depende de contribuições voluntárias. "Precisamos criar estruturas relevantes para expressar o nível de importância dos assuntos tratados", declarou. "Temos por exemplo a Organização Mundial do Comércio (OMC), porque o comércio é importante, a Organização Internacional do Trabalho (OIT) e a Unesco. Acreditamos que o Desenvolvimento Sustentável é um tema tão importante quanto a igualdade das mulheres".

Apesar de o Brasil não defender a criação de uma agência ambiental da ONU, o embaixador disse que seria prematuro falar de divergências entre países europeus e o governo brasileiro. Grolig é embaixador no Brasil desde 2010. Antes, serviu nas embaixadas da República do Congo, de Marrocos e da Indonésia, e foi embaixador da Alemanha na Finlândia.

O representante da Fundação Konrad Adenauer no Brasil, Thomas Knirsch, também defendeu a criação de uma agência especializada para o meio ambiente. "A ONU precisa de um fortalecimento". Em palestra no seminário, o embaixador aposentado Marcos Azambuja, que coordenou a delegação brasileira na Rio-92, alertou para a gravidade das mudanças climáticas como problema central hoje e avaliou que o modelo de negociações no âmbito da ONU é insuficiente.

"Quando a humanidade quis fazer coisas radicais, ela usou métodos radicais, que são as revoluções. Para mudar dramaticamente as coisas, há instrumentos dramáticos de ação. A negociação lenta, paritária e consensual não é um instrumento que leve a isso. Então estamos com um problema, que é um impasse, entre metodologia e objetivo". Azambuja avaliou que a discussão de mudanças climáticas tende a ser carregada de um "absolutismo quase religioso" e citou o caso do Partido Republicano, nos EUA, que "simplesmente não acredita no aquecimento global causado pelo homem". O diretor da sucursal do Estado no Rio, Marcelo Beraba, representou o jornal na abertura do evento.

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