Professores convocam greve e pressionam Alckmin

Em uma assembleia com cerca de 4 mil pessoas, segundo estimativa da Polícia Militar, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) decidiu entrar em greve por tempo indeterminado, a partir de ontem. As escolas estaduais devem começar a sentir o impacto da paralisação na segunda-feira.

BRUNO RIBEIRO, Estadão Conteúdo

14 de março de 2015 | 08h17

A greve foi um dos poucos consensos da assembleia, que ocorreu no vão livre do Masp, na Avenida Paulista, antes da passeata dos movimentos sindicais. Do carro de som, dirigentes sindicais trocaram acusações sobre o uso do sindicato para apoiar o governo Dilma Rousseff, em detrimento da defesa dos interesses dos professores. Outros criticaram o fato de o sindicato apoiar grupos "da direita" que "ameaçam a democracia". A presidente da Apeoesp, Maria Isabel Azevedo Noronha, defendeu o governo federal e foi vaiada duas vezes.

Divisão

O racha ficou mais visível quando o ato capitaneado pela CUT, que havia se concentrado em frente ao prédio da Petrobrás, também na Paulista, se aproximou do ato da Apeoesp. Parte dos professores saiu do vão livre antes do encontro; parte acompanhou os demais sindicatos; e um terceiro grupo continuou no Masp. "A situação do professor não tem mais como piorar, com salas lotadas e salários baixos. Os sindicalistas brigam mesmo, eles são políticos", disse a professora Fernanda Araújo, de 36 anos. A categoria reivindica, entre outras coisas, 75,3% de aumento salarial.

O governador Geraldo Alckmin lamentou a greve. "O governo do Estado lamenta a decretação de uma greve decidida por um pequeno número de pessoas, nem todas professores, em meio a uma manifestação de cunho partidário e sem que tenha havido qualquer iniciativa de diálogo - o que caracteriza esse movimento como essencialmente político-partidário", diz nota do Palácio dos Bandeirantes.

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