Projeções do PIB em 2010 disparam

Bancos e consultorias já veem crescimento de até 6,5%; IBGE divulga resultado do terceiro trimestre na 5ª feira

Fernando Dantas, O Estadao de S.Paulo

06 Dezembro 2009 | 00h00

As projeções de bancos e consultorias para o crescimento do Brasil em 2010 estão subindo e já ultrapassam 6%, em alguns casos. Na quinta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre de 2009, para o qual os analistas preveem expansão em torno de 2% ante o trimestre anterior, na série dessazonalizada. Em termos anualizados, isso significa um crescimento de 8,2%, ritmo que muitos analistas julgam que possa ser mantido nos dois últimos trimestres deste ano.

Um dos destaques da arrancada no segundo semestre deve ser o início da volta do investimento, que despencou no último trimestre de 2008 e no primeiro de 2009, sendo o segmento no Brasil mais abalado pela crise global. No segundo trimestre, o investimento parou de cair, na comparação dessazonalizada com o trimestre anterior, mas agora a expectativa é de uma forte arrancada.

Zeina Latif, economista-chefe do Banco ING, prevê um crescimento de 2,1% do PIB no terceiro trimestre (ante o segundo), com aumento de 5% (ou 21,6%, anualizado) da chamada formação bruta de capital fixo (FBCF), ou investimento. "Há os efeitos da política monetária, a volta da confiança dos empresários, e a ociosidade da indústria se reduzindo - tudo isso são estímulos para acelerar o investimento", ela diz.

Mesmo com toda a arrancada do terceiro trimestre, as projeções de crescimento do PIB de julho a setembro, na comparação com o mesmo período de 2008, estão em torno de zero, ou até um pouco negativas. Para 2009 como um todo, a previsão média do mercado coletada pelo Banco Central (BC) é de crescimento de 0,2%. No caso do investimento, mesmo com a forte aceleração prevista a partir do segundo trimestre, Zeina ainda projeta uma queda de 12% neste ano.

O mercado, porém, já voltou o foco para 2010, e a forte mudança das expectativas nos últimos seis vezes está turbinando as projeções. A média das previsões coletadas pelo BC para a expansão do PIB em 2010 pulou de 3,5% em junho para os 5% atuais. O otimismo vem sendo reforçado pela divulgação de indicadores econômicos, como a produção industrial de outubro, que cresceu 2,2% ante setembro, com destaque para o crescimento de 5,9% (também em relação ao mês anterior) dos bens de capital. Há previsões de crescimento do investimento em 2010 de 15% a 20%.

Com os sinais cada vez mais fortes de aceleração econômica, a tendência geral de bancos e consultorias é rever as projeções de crescimento para cima. "O nosso cenário de 5% (de aumento do PIB em 2010) está subindo no telhado", brinca Alexandre Schwartsman, economista-chefe do Santander.

Mas ele está um pouco mais cauteloso do que as instituições que já veem crescimento de 6% ou mais. Por um lado, diz o economista, um crescimento de 5% em 2010 implicaria uma desaceleração do ritmo trimestral de 2% (8,2% anualizado), previsto para o segundo semestre de 2009, para 0,9% (3,6% anualizado) ao longo do próximo ano, o que talvez seja excessivamente pessimista. Por outro lado, outras experiências históricas de recuperação no Brasil indicariam que o ritmo atual pode não se manter tão forte.

Para Roberto Padovani, estrategista do Banco WestLB no Brasil, que aguarda os dados do terceiro trimestre para provavelmente atualizar para cima a sua projeção de 4,8% para o próximo ano, "a discussão agora é saber se vai ser mais para 5% ou mais para 6%".

Exemplos de instituições que já projetam um PIB no ano eleitoral acima de 6% são o Credit Suisse, com 6,5%, o Bradesco, com 6,1%, e o Modal Asset Management, com 6%. Se o Credit Suisse acertar, será o maior crescimento desde 1986, ano do Plano Cruzado, quando o PIB teve um salto de 7,49%.

Há consenso no mercado de que a demanda doméstica (consumo das famílias e do governo e investimentos) vai crescer ainda bem mais que o PIB - 8,7% na projeção do Bradesco. Isso será compensado pelo aumento das importações muito acima do das exportações, o que faz com que o PIB cresça menos do que a demanda interna.

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