PT minimiza efeito de debate na TV, Serra pede 'um voto a mais'

O PT, partido da líder nas pesquisas Dilma Rousseff, viu o debate realizado na noite de domingo como pouco capaz de provocar uma mudança no cenário eleitoral. Já o tucano José Serra, confiante no segundo turno, pediu um voto a mais aos seus eleitores e Marina Silva (PV) reiterou a esperança de um embate feminino depois de 3 de outubro.

MARIA PIA PALERMO, REUTERS

27 de setembro de 2010 | 09h20

Coordenador da campanha de Dilma, Marco Aurélio Garcia, mostrou-se cético em relação a possíveis efeitos do debate. "Não acredito que produza grandes modificações. Modificação se produz se um não vem ou se alguém faz um desastre total. A minha impressão é que no debate de hoje a Marina está tirando voto do Serra", avaliou ele durante um intervalo.

Vestida de branco em vez do vermelho que caracteriza seu partido, Dilma começou o encontro séria, e seu primeiro sorriso veio após pergunta do candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, que questionou a petista sobre as denúncias envolvendo sua ex-assessora e sucessora na Casa Civil Erenice Guerra.

O toma-lá-dá-cá mais esperado, entre Serra e Dilma, no entanto, não dominou o plateau do estúdio da TV. Depois do beijo dado pelo tucano na petista, quando a cumprimentou ao pisar no local, houve pouco contato direto.

Assim como Dilma fez nos debates anteriores, Serra evitou confrontá-la com perguntas. Os ataques de ambos vieram nas respostas quando foram questionados pelos outros presidenciáveis ou pelas três jornalistas que participaram do evento.

Ambos apontaram as regras do debate como responsáveis pelas poucas ocasiões de embate direto. "Não tive oportunidade, a única vez que eu tive eu fiz. Depois, na lista de colocação eu estava embaixo e já tinha feito antes, mas eu perguntei para todo mundo", disse Serra a jornalistas após o encontro.

O tucano, entretanto, fez a primeira pergunta do programa e escolheu Plínio para respondê-la, mesmo podendo direcionar a questão à petista.

Já Dilma, questionada por que não dirigiu perguntas ao tucano, disse: "Eu dirigi a quem eu achei que era mais importante".

A opção do tucano de não aproveitar todas as chances que teve para perguntar à Dilma foi alvo de ironia por parte do presidente do PT, José Eduardo Dutra.

"Nunca antes na história de debates políticos nesse país, o segundo colocado evitou fazer perguntas pra quem estava em primeiro", cutucou em sua conta no serviços de microblogs Twitter.

No fim do encontro, Serra se dirigiu diretamente aos eleitores, pediu voto dos indecisos e fez um apelo para os que já se decidiram por ele que conseguissem um voto a mais para sua candidatura

"Pedi o voto sem nenhuma inibição às pessoas. E pedi também a quem já me apoia que ganhe um outro voto, de alguém que não ia votar, porque temos que multiplicar os votos", disse. "Domingo que vem vamos decidir quem vai para o segundo turno", garantiu, apesar de as pesquisas de opinião prognosticarem uma vitória de Dilma já no primeiro turno.

MULHER NA PRESIDÊNCIA

Marina, terceira colocada nas pesquisa de intenção de voto, buscou se apresentar como uma terceira via, alternativa a Dilma e Serra. Afirmando que os eleitores querem eleger pela primeira vez uma mulher presidente, a candidata verde pediu então que os eleitores promovam um segundo turno feminino.

"As pesquisas indicam uma tendência de que os brasileiros querem uma mulher na Presidência da República depois de 500 anos. E estão procurando fazer justiça às duas que estão disputando, à Rousseff e à Silva", afirmou após o debate.

Mas na arena dos ataques, Plínio foi, mais uma vez, o vencedor. Além das acusações a Dilma, ele foi duro com Marina. A chamou de "demagoga" e declarou que ela "foge quando não sabe responder".

O candidato do PSOL provocou risos na plateia, como em outros debates, e colocou todos os candidatos no mesmo saco ao dizer que "aqui todo mundo está mais ou menos envolvido em corrupção". Desligadas as câmeras e encerrado o show, Plínio avaliou que, sem ele, "a Rede Record iria ter um problema sério de queda de audiência".

(Edição de Eduardo Simões)

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