Refugiados da Costa do Marfim correm para fronteira com Libéria

Gluee Teah caminhou pela selva por um dia e cruzou um rio para escapar dos conflitos políticos que estão tomando conta da Costa do Marfim, ao lado de suas duas filhas pequenas e uma outra criança que está por nascer.

REUTERS

30 de dezembro de 2010 | 13h43

"Estou grávida de nove meses", disse ela, enquanto sua filha de três anos sugava a ponta rasgada de seu vestido nesta cidade de fronteira da Libéria.

Teah está entre os mais de 16.000 habitantes da Costa do Marfim que fugiram para a vizinha Libéria desde a eleição de 28 de novembro, temendo que a disputa sobre quem ganhou a eleição reavive a guerra civil de 2002-2003.

A Organização das Nações Unidas (ONU) está se preparando para que o número dobre para 30.000 pessoas. Ela está transportando comida de seus estoques de emergência, preparando abrigos, e correndo para aumentar o acesso a água limpa para evitar a disseminação de doenças.

Mas os refugiados, que estão chegando às centenas a cada dia, dizem que muitos estão dormindo ao relento e têm muito pouco para comer.

"Estamos pedindo à comunidade internacional para nos ajudar com comida e abrigo", isse Mcgbein Sammie Atu, apontado como porta-voz dos refugiados em Old Luguatuo. "Não temos comida. Como você espera que a gente sobreviva?".

Laurent Gbagbo se recusou a ceder à pressão da comunidade internacional para deixar o cargo depois da eleição na Costa do Marfim no mês passado, mesmo depois de os resultados preliminares terem apontado a vitória de seu rival Alassane Ouattara com oito pontos percentuais de vantagem.

O bloco africano regional ECOWAS ameaçou retirá-lo do poder a força, e os rebeldes que ainda controlam a região norte do país depois da guerra civil disseram que estão prontos para lutar.

A Cruz Vermelha começou a recolher donativos para se preparar para essa possibilidade, com refugiados começando a se dirigir a países vizinhos também, como Burkina Faso, Mali e Gana.

A disputa tornou-se violenta em meados de dezembro, quando manifestantes pró-Ouattara tentaram tomar o canal televisivo estatal e se chocaram com forças leais a Gbagbo, num confronto que deixou ao menos 20 mortos.

Outras 150 pessoas morreram desde então, de acordo com a ONU, que condenou as evidências de abusos de direitos humanos, incluindo sequestros, tortura e assassinatos.

Gbagbo acusa a os países ocidentais de orquestrarem uma conspiração contra ele, depois que a principal corte do país - controlada por um de seus aliados - anulou o resultado preliminar da eleição dando-lhe a vitória.

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