RJ conclui pacificação de comunidades da zona sul

Em apenas 30 minutos, cerca de 420 policiais militares liderados pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) ocuparam na madrugada desta segunda-feira, 29, as favelas Cerro-Corá, Guararapes e Vila Cândido, no Cosme Velho, na zona sul do Rio, para a futura instalação da 33ª Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da cidade. Até então controladas por traficantes, as comunidades - que são de pequeno porte - não eram consideradas entre as mais violentas. Com a ação, a Secretaria de Segurança conclui o processo de pacificação de comunidades da zona sul.

MARCELO GOMES, Agência Estado

29 de abril de 2013 | 18h41

As outras quatro favelas da região que ainda não têm UPPs já estão ocupadas permanentemente por forças de segurança. O Morro Santo Amaro, no Catete, está sob controle da Força Nacional de Segurança Pública desde o ano passado, quando foi implantado no local um núcleo do projeto "Crack, é possível vencer". Na Favela Tavares Bastos, no mesmo bairro, fica a sede do Bope. A comunidade é bem próxima ao Morro do Pereirão, em Laranjeiras, que também é usado para treinamento da tropa de elite. E o Morro Azul, no Flamengo, possui uma companhia destacada da PM. As três favelas ocupadas nesta segunda ficam aos pés do Cristo Redentor, principal ponto turístico da cidade, que deverá ser visitado pelo papa Francisco durante a Jornada Mundial da Juventude, a ser realizada de 23 a 28 de julho.

Até esta segunda, era dado como certo que a próxima região a ser pacificada seria o Complexo da Maré, conjunto de 15 favelas da zona norte cortado pelas três principais vias expressas da cidade: Linhas Amarela e Vermelha e Avenida Brasil. Com cerca de 130 mil moradores, a Maré é rota obrigatória para quem chega ao Rio pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim e precisa se deslocar em direção ao centro ou à zona sul.

No entanto, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, negaram que a pacificação das favelas tenha relação com a possibilidade da visita do pontífice ao Corcovado.

"O planejamento de pacificação das comunidades foi feito em 2008. De lá para cá, o cronograma foi alterado apenas uma vez, com a ocupação do Complexo do Alemão (após uma onda de ataques de traficantes que levou pânico à população em 2010). A possível visita do papa não é a causa desta ocupação. As três comunidades não estavam isoladas, isto é, elas ficam próximas a outras já pacificadas. Então poderiam receber bandidos de outras favelas com UPPs. Não podíamos deixar aquele local de fora (das UPPs)", explicou Beltrame.

Já Cabral disse que a pacificação do Cerro-Corá foi atrasada devido às chuvas que atingiram o Rio em 2010, e causaram deslizamentos em várias favelas próximas. "Essas três comunidades estavam no planejamento de pacificação. Mas em função de questões ligadas às chuvas de 2010, (precisávamos de) uma avaliação técnica que dependia da prefeitura. Depois que isso foi esclarecido, não podíamos deixar de ocupar essas três comunidades".

A operação desta segunda começou às 5 horas, e contou com PMs do Bope, do Batalhão de Choque, do Batalhão de Ações com Cães, e do Grupamento Aéreo e Marítimo (GAM). Helicópteros deram apoio à ação. Não houve resistência dos traficantes. Como as três favelas são pequenas - possuem cerca de 2.800 moradores, segundo o Censo 2010 -, desta vez a ocupação não contou com blindados da Marinha. O Cerro-Corá ficará ocupado pelo Bope até a inauguração da UPP, prevista para ocorrer até o fim de maio. A unidade contará com efetivo de 190 PMs. A promessa do governo do Estado é inaugurar 40 UPPs até o fim de 2014.

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