Sequestro de jovem por ex-namorado tem desfecho trágico no ABC

O sequestro de uma adolescente pelo ex-namorado terminou nesta sexta-feira em tragédia, após quatro dias de cativeiro no apartamento da jovem em Santo André, no ABC Paulista. O desfecho dramático para o crime ocorreu no momento em que policiais invadiram o apartamento em que Eloá Cristina Pimentel e sua amiga Nayara Rodrigues da Silva, ambas com 15 anos, eram mantidas desde segunda-feira reféns por Lindemberg Fernandes Alves, 22 anos, ex-namorado de Eloá. Segundo a polícia, a decisão de agir foi tomada após policiais ouvirem disparos efetuados dentro do cativeiro. Eloá acabou baleada com gravidade na cabeça e corria o risco de morrer no Centro Médico Hospitalar de Santo André, para onde foi levada. Ela também tomou um tiro na virilha. Segundo policiais, os disparos teriam sido feitos por um Lindemberg inconformado com o fim do relacionamento de dois anos com a jovem. Lindemberg teria atirado também em Nayara, que foi levada ao mesmo hospital com um tiro na face. Ela permanecia internada, mas não corria risco de morrer. Uma equipe do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar invadiu o apartamento onde Lindemberg mantinha as duas reféns por volta das 18 horas desta sexta-feira. "Nós só decidimos invadir porque nós ouvimos tiros ali dentro. Se não tivéssemos ouvido tiros, não teríamos invadido", disse a jornalistas o coronel Eduardo Félix de Oliveira, comandante do Batalhão de Choque da PM. Instantes depois da ação, imagens de TV mostraram as duas moças saindo do local carregadas em macas e, posteriormente, a chegada delas ao hospital em duas ambulâncias. Segundo a diretora do hospital, Rosa Maria Pinto de Aguiar, Eloá apresentava um estado "gravíssimo" e passava por uma cirurgia para retirar uma bala que ficou alojada em sua cabeça. A diretora afirmou ainda que, em uma escala de zero a dez, o risco de morte da garota era nove. Nayara havia tomado um tiro na boca, mas estava consciente. Lindemberg, colocado por policiais em um carro da PM, foi levado para o 6o Distrito Policial de Santo André. Ainda não havia uma confirmação sobre se os tiros foram disparados por Lindemberg ou pelos policiais. HORAS SEM FIM O sequestro começou na última segunda-feira, por volta das 13h30, quando Lindemberg invadiu o apartamento onde Eloá vivia com a família. Naquele momento, a garota fazia um trabalho de escola com Nayara e outros dois colegas, todos de 15 anos de idade. Portando duas armas e munição, ele rendeu o grupo, dizendo-se inconformado com o fim do relacionamento com Eloá. A policiais, Nayara disse que Lindemberg agredia Eloá constantemente no cativeiro. Os garotos foram libertados na segunda-feira à noite. Na manhã de terça-feira, dia 14, Nayara foi solta, mas acabou retornando ao apartamento na manhã de quinta-feira, como parte das negociações com Lindemberg. A medida gerou críticas à polícia por parte de especialistas e do Conselho Tutelar. Após quatro dias de negociação, o sequestro parecia estar chegando a um desfecho feliz na sexta-feira, quando o promotor de Justiça Augusto Rossini chegou ao local portando um documento em que garantia a integridade física de Lindemberg, caso ele se entregasse. A presença do promotor teria sido uma exigência de Lindemberg. Ao longo do dia, esperou-se que o rapaz se entregasse. No final da tarde, porém, ouviram-se estrondos e tiros no apartamento, e o sequestro terminou em tragédia. (Por Fabio Murakawa)

REUTERS

17 de outubro de 2008 | 23h14

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