Suspeita de ser sócia de empresa fantasma rompe silêncio na CPI

A empresária Roseli Pantoja, levada à CPI do Cachoeira por suspeitas de ser sócia de empresas fantasmas utilizadas pelo grupo do suposto contraventor, quebrou o roteiro de depoentes que preferiram ficar em silêncio na comissão e afirmou nesta quarta-feira que seu nome foi usado indevidamente.

Reuters

15 de agosto de 2012 | 14h51

"Eu não trouxe advogado, estou aqui sozinha. O que tenho a dizer a vocês é que meu nome foi usado", disse a empresária. "Eu não tenho nada, não tenho nenhum envolvimento com essa quadrilha. Eu sei somente que meu nome foi usado e estou aqui para esclarecer o que eu puder", acrescentou.

Roseli foi convidada a falar após o ex-presidente do Departamento de Trânsito (Detran) de Goiás, Edivaldo Cardoso de Paula, apontado como possível braço de Cachoeira dentro do governo goiano, anunciar que ficaria em silêncio.

Logo de antemão, a empresária afirmou que seu CPF e a grafia de seu nome não batiam com o que constava no requerimento de convocação. Dados da CPI e da Polícia Federal apontam Rosely Pantoja, com "y", como sócia de empresas que teriam sido utilizadas pela organização. A empresária que compareceu à CPI afirmou que seu nome é escrito com "i" no final.

O relator da comissão, deputado Odair Cunha (PT-MG), afirmou que a discrepância indica que o nome de Roseli pode ter sido utilizado para criar um novo CPF, esse sim utilizado para constituir empresas fantasmas destinadas à lavagem de dinheiro.

"Eles pegam nomes, cruzam com outros CPFs dão alguma margem de veracidade na medida em que pegam um nome parecido com uma diferença pequena... uma letra do nome... e põem o endereço que essa pessoa morou. É uma forma de configurar que é uma empresa fantasma da organização criminosa", explicou o relator.

Roseli contou aos integrantes da CPI que assinou uma procuração, no início do ano passado, dando plenos poderes a Gilmar Carvalho Moraes, que à época era seu marido, para abrir uma pequena empresa, uma loja. Moraes também é citado nas investigações como sócio de outra empresa usada no esquema de Cachoeira.

A empresária --que afirmou morar em uma região do entorno de Brasília e possuir pouca renda, o que a impediu de contratar um advogado-- disse desconhecer que a procuração tenha sido usada pelo marido para criar diversas empresas que teriam sido usadas para lavagem de dinheiro, dentre elas a Alberto e Pantoja, que teria recebido recursos da Delta, segundo a Polícia Federal.

Também negou conhecer qualquer integrante do grupo de Cachoeira.

Por outro lado, Roseli afirmou que Moraes usou a procuração para fazer empréstimos e passar cheques sem fundo, o que motivou o fim do casamento de 13 anos.

Questionada, a empresária afirmou ainda ser "possível" que ela tenha assinado algum documento ou papel em branco a pedido de seu ex-marido, que também poderiam ter sido usados para a criação das empresas, segundo suspeitas de integrantes da CPI.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)

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