Tecnologia na pecuária beneficia do topo à base

Criadores de elite investem em técnicas que têm como objetivo final melhorar o gado e a qualidade da carne

Niza Souza, Estadão

26 de setembro de 2007 | 02h31

A jovem vaca nelore Luana FIV Perboni, produto de fecundação in vitro, tem apenas 7 meses, mas seu ganho de peso diário chega a 1,4 quilo. A média de um bovino de elite nesta idade, criado em confinamento, é de 1 quilo/dia. ''''Ela tem potencial para gerar um bezerro precoce, porque ganha peso mais rápido'''', diz o gerente José Bonifácio Filho, da Perboni Agropecuária, em Uberaba (MG). Veja também: Produtores utilizam inseminação e sexagem Clonagem é opção para fazer reserva Na Fazenda Nova Índia, também em Uberaba, o destaque é o touro nelore Jero FIV do Brumado, o grande campeão da raça em 2004, quando tinha 23 meses e pesava 974 quilos. Hoje, com 5 anos e 1.400 quilos, está no auge da capacidade reprodutiva: produz 3 mil doses de sêmen por mês. Na década de 60, os grandes campeões reprodutores, como o famoso Marabá, só atingiam 1 tonelada por volta de 55 meses.Esta semana, na 36ª Exposição Internacional do Nelore (Expoinel), em Uberaba (MG), o até então segundo colocado no ranking dos melhores da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB) 2006/2007, o reprodutor jovem Rhenno FIV Kubera, de 24 meses, pesou 1.075 quilos. Está acima da média, garante o criador, Marcelo Perboni.Abate precoce''''É a evolução da pecuária'''', define o pecuarista Luiz Humberto Di Martino Borges, da Nova Índia, criador de animais de elite ou os chamados puros de origem (PO). O filho de Jero, o Sam Bar, que também faz parte de seu plantel, deve chegar aos 1.100 quilos antes dos 25 meses, prevê. ''''Nos tempos do Marabá o nelore era abatido com 50 meses. Hoje, a média é de 30 meses'''', diz Borges, que tem um plantel de 760 bovinos, entre prenhezes e doadores. ''''Só com esta elite podemos melhorar o rebanho na base e chegar à atividade-fim: produzir carne.''''Não é à toa que o slogan da Expoinel deste ano é ''''Genética de qualidade ampliando fronteiras''''. A presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB), Alice Ferreira, explica que carne de qualidade começa com genética de qualidade. A feira, diz, é onde os produtores da base, de criação comercial que vão atender aos frigoríficos, podem orientar-se. ''''O criador brasileiro já está consciente da necessidade de ter esse melhoramento, senão não tem lucro.''''TecnologiasO objetivo de aplicar tecnologias como transferência de embriões (TE) e fecundação in vitro (FIV) é obter filhos melhores que os pais. E é em busca desses animais melhorados - com precocidade de abate, ganho de peso mais rápido e qualidade de carcaça - que trabalham os criadores de gado de elite. ''''Mas tudo isso visando à base da cadeia, os pecuaristas comerciais'''', diz o criador de PO Gilberto Rossi, de Brasília (DF). Entretanto, acrescenta, essas tecnologias, com exceção da inseminação artificial, são inviáveis para produtores comerciais. ''''Nosso papel é investir em genética, melhorar a raça e repassar para os pecuaristas'''', diz. Até onde vai chegar esta tecnologia é difícil prever. ''''A cada ano os criadores de elite superam a precocidade. Quando achamos que atingimos o máximo, aparece uma surpresa, como as recentes técnicas de marcadores moleculares e clonagem'''', diz Alice.OpçãoE, quanto maior o número de animais melhorados disponíveis no mercado, mais acessível a tecnologia fica para o criador comercial. Os pecuaristas Marcelo e Renato Perboni começaram com a criação de gado de corte em Goiás, há quatro anos. Na época, conta Marcelo, compraram 500 matrizes e touros. ''''A idéia era melhorar os animais e logo passamos a fazer inseminação artificial'''', contam. ''''Na busca pelos touros e sêmen, começamos a ter contato com os criadores de PO. Deixamos a pecuária de corte e viramos criadores de elite.''''Há um ano e meio compraram uma fazenda em Uberaba. ''''Aqui é o centro da tecnologia de melhoramento do nelore'''', dizem. Os irmãos mantiveram toda a estrutura da fazenda, que já tinha animais campeões. ''''Não basta ter só tecnologia. Tem de ter uma boa equipe. O manejo é importantíssimo.''''O criador Gilberto Rossi também optou pela criação de nelore de elite há três anos, principalmente porque a propriedade, em Padre Bernardo (GO), é pequena para a criação extensiva. Para ter lucro, diz ele, a melhor opção foram os animais de elite. E complementa: ''''A criação de nelore de elite tem base nos três ''''R'''': raça, ração e relacionamento''''.

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