Tiroteio assusta vizinhos de pedreiro desaparecido no RJ

Duas semanas após o sumiço do pedreiro Amarildo de Souza, morador da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio, um tiroteio no início da manhã desta segunda-feira assustou moradores da rua em que ele vivia com a família, no alto do morro. Ninguém foi preso e não houve registro de feridos. Está prevista para esta terça-feira, 30, uma nova perícia no carro dos PMs que levaram Amarildo à sede da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) da Rocinha no dia 14, quando ele foi visto pela última vez.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

29 de julho de 2013 | 20h00

Na ocasião, a Polícia Militar promovia uma operação na favela. Segundo testemunhas, Amarildo foi levado por policiais à UPP "para verificação" e depois desapareceu. A entrada dele na unidade foi confirmada por parentes, mas na saída, segundo a polícia, as câmeras não estavam funcionando.

Desde então não foram divulgados avanços na investigação, e os gritos de "Cadê o Amarildo" tornaram-se frequentes durante manifestações realizadas no Rio contra o governador Sérgio Cabral (PMDB). "A principal suspeita recai sobre os policiais da UPP. Não temos até o momento nenhuma novidade que mude o rumo da investigação. O que se tem clareza é que ele sumiu após a intervenção dos policiais da UPP", disse o deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL), que preside a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Rio.

O delegado que investiga o caso, Orlando Zaccone, disse nesta segunda que não daria detalhes da investigação para não prejudicar o trabalho. "Combinei com a chefia de Polícia de entregar um relatório final na quarta-feira, 31, e o caso será encaminhado à Delegacia de Homicídios. Antes disso, não vou falar." O delegado já ouviu a família de Amarildo e os policiais da viatura acionada para levá-lo à sede da UPP no dia em que ele desapareceu. As imagens feitas por câmeras de viaturas da PM foram analisadas pela Polícia Civil. Segundo a instituição, não há relação entre o tiroteio desta segunda e o sumiço do pedreiro.

Na semana passada, após encontro com a mulher e dois sobrinhos de Amarildo no Palácio Guanabara, Cabral divulgou um vídeo em que afirmava que a família receberia proteção e seria levada a um lugar seguro. A família de Amarildo, pai de seis filhos, continua morando na Rocinha e organiza um protesto para o dia 1º de agosto. "Já demos depoimento, já teve busca aqui em casa, mas resposta oficial nós não temos ainda. Não passaram nenhuma informação. Continuamos aguardando", disse uma representante da família, que pediu para não ser identificada.

Além da manifestação de quinta-feira, que deverá seguir da Rocinha até a rua onde mora o governador, no Leblon (zona sul do Rio), também está prevista para quarta-feira um ato organizado pela ONG Rio de Paz em Copacabana.

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