'Todos os pontos da Rio+20 estão travados'

Declaração de representante de país sul-americano, após rodada de discussões informais para a pauta da conferência da ONU, expõe impasse

FELIPE WERNECK / RIO, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2012 | 03h07

Terminou com uma visita de ônibus "frescão" ao Riocentro, palco oficial da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento Sustentável, em junho, mais uma rodada de discussões informais para tentar "destravar" a pauta da Rio+20.

Negociadores de 45 países se reuniram por dois dias no Palácio do Itamaraty, no centro do Rio. Indagada sobre que pontos estariam mais travados na discussão, a representante da chancelaria de um país sul-americano declarou: "Todos". Um dos problemas é a definição do conceito de economia verde.

A discussão da proposta de criação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável é mais consensual, mas alguns países acham que será possível apenas lançar um processo na Rio+20, enquanto outros defendem que objetivos sejam traçados já na conferência.

O representante de um país europeu avaliou que ambições diferentes causam uma situação em que um grupo defende um resultado mais político e simbólico e outro busca algo mais prático e tangível, com metas definidas.

Em nota, o Itamaraty afirmou que "avançou-se no debate em torno dos principais temas da conferência - economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza e a estrutura institucional do desenvolvimento sustentável". E disse que foram "consideradas propostas específicas, como o lançamento de um processo para o estabelecimento de objetivos de desenvolvimento sustentável e a criação de um piso de proteção socioambiental global".

Segundo o Itamaraty, compareceram os principais negociadores de 45 países, além da Comissão Europeia. A reunião foi organizada pelo governo brasileiro.

No Recife. Acadêmicos e políticos reunidos até amanhã no Recife para discutir temas da Rio+20 exigiram que a conferência não deixe a questão das mudanças climáticas em segundo plano.

No ato de abertura do evento preparatório para o Rio Climate Challenge, que ocorrerá de 14 a 17 de junho, paralelamente à conferência da ONU, o presidente da subcomissão da Rio+20 no Congresso, deputado Alfredo Sirkis (PV-RJ), questionou: "Como se pode tratar de economia verde e boas práticas de governo sem falar de energias limpas?".

O evento paralelo pretende simular cenários "com medidas realistas" a ser aplicadas para "evitar mudanças catastróficas" no ambiente, disse Sirkis, e propor temas para a COP-18. / COM EFE

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