Trigo soft não é ideal para o País

Para analista da Conab, cereal russo não substitui a contento o que deixará de ser importado da Argentina

Fabíola Salvador, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2009 | 07h03

Na semana em que técnicos do Ministério da Agricultura avaliam, em Moscou, a viabilidade da importação de trigo da Rússia em substituição ao produto que deixará de ser fornecido pela Argentina, o analista do mercado de trigo da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Paulo Magno Rabelo, disse que o cereal russo tem as mesmas características do produto produzido no Rio Grande do Sul.  

 

Pão francês: alimento é feito com trigo de alto teor de proteína

"O trigo russo não é próprio para a fabricação do pão francês porque tem baixos níveis de proteína", afirmou. "O Brasil precisa de lotes que possam ser misturados com trigo de qualidade inferior", acrescentou, confirmando avaliações que circulavam no mercado.

O técnico explicou que esse produto, considerado de qualidade superior, para uso na fabricação de pães só pode ser fornecido por exportadores dos Estados Unidos e do Canadá. "O trigo produzido pela Rússia é o soft, com menos proteínas, usado na fabricação de bolachas e biscoitos", argumentou.

O analista acredita que o abastecimento interno está garantido porque a oferta mundial supera a demanda. Segundo ele, a produção mundial de trigo será de aproximadamente 682 milhões de toneladas, ante demanda de 560 milhões de toneladas. Em média, o trigo dos EUA e do Canadá é vendido por US$ 240/tonelada, em comparação com US$ 190/tonelada do cereal russo. No total, considerando farinha e o cereal bruto, o Brasil precisará importar 5,340 milhões de toneladas este ano.

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