UFMT repudia violência contra estudante africano morto

A Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) divulgou neste domingo uma nota de repúdio à violência contra o estudante Toni Bernardo da Silva, morto após ser espancado. "A UFMT repudia esta e toda forma de violência. A UFMT conta e confia no engajamento das autoridades competentes para o esclarecimento do ocorrido e punição dos responsáveis", diz a universidade em nota.

Agência Estado

25 de setembro de 2011 | 19h50

A UFMT também convocou um "Ato de Repúdio à Violência" amanhã no Centro Cultural às 14h. De acordo com a nota, participarão do ato representantes da sociedade civil, dos movimentos sociais, centros acadêmicos, DCE, Sintuf, Adufmat, pesquisadores, Ministério Público, OAB, Fórum da Paz, entre outros órgãos e entidades.

O aluno de 27 era originário de Guiné-Bissau e estudava economia na universidade como bolsista do Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G), parceria entre o MEC e o Itamaraty, um programa de intercâmbio oferecido pelo governo brasileiro a jovens de vários países africanos.

O Itamaraty divulgou nota no sábado lamentando a morte do estudante africano.

Toni morreu espancado na noite desta quinta-feira, por três homens, dois deles supostos policiais militares, em um restaurante no bairro Boa Esperança, em Cuiabá, segundo informações da Polícia Civil. Ele teria abordado um casal no restaurante para pedir R$ 10,00. Depois sentou-se na cadeira ao lado e começou a se aproximar da namorada do rapaz. Em seguida tentou agarrar a moça, sendo contido pelo namorado dela, Sérgio Marcelo Silva da Costa, 27 anos, que teria entrado em luta corporal com o rapaz.

Outros dois clientes do restaurante anunciaram ser policiais militares, imobilizaram o estudante e depois os três passaram a desferir socos e pontapés. Os policiais Higor Macell Mendes Montenegro e Wesley Fagundes Pereira foram autuados no flagrante e ouvidos na presença de um representante da Corregedoria da Polícia Militar. Os três acusados disseram que apenas imobilizaram à vítima.

De acordo com o delegado Antonio Esperandio, a vítima, segundo testemunhas, aparentava estar sob efeito de drogas ou embriagada. Exames de toxicológico, alcoolemia e necropsia foram requisitados ao Instituto de Medicina Legal (IML). (Luciana Fadon Vicente, colaborou Solange Spigliatti)

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