UnB terá reitor provisório até terça-feira, diz Haddad

Ministro da Educação diz que seleção será feita por ele, caso não haja consenso; escolhido ficará por 90 dias

Fabíola Salvador, da Agência Estado,

13 de abril de 2008 | 18h18

O ministro da Educação, Fernando Haddad, disse neste domingo, 13, que o ministério espera receber até a próxima terça-feira indicações da comunidade acadêmica de nomes para ocupar temporariamente a reitoria da  Universidade de Brasília (UnB). O reitor escolhido ficará no cargo por 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias, e terá nesse período, entre outras atribuições, a tarefa de organizar as eleições para a escolha do novo reitor da universidade. A expectativa do ministro é que esse nome seja publicado na edição de quarta-feira do Diário Oficial da União.   Veja também: Entenda o caso do reitor da UnB Após licença, estudantes da UnB querem agora saída de vice  Estudantes da UnB rejeitam termo e mantêm ocupação MEC quer parecer da Finatec sobre recursos para UnB Justiça manda estudantes desocuparem Reitoria    As denúncias contra o reitor Timothy Mullholland surgiram no início de fevereiro, em meio ao escândalo da farra com os cartões corporativos, que resultou na saída da ministra da Igualdade Racial, Matilde Ribeiro. A universidade apareceu como líder no ranking de instituições federais em gastos com cartões, e Mulholland teria usado recursos públicos de uma fundação, no total de R$ 470 mil, para mobiliar o apartamento funcional ocupado pelo reitor.   Por conta das denúncias, a reitoria da universidade foi ocupada no dia 3 de abril pelos alunos, que reivindicavam o afastamento definitivo de Mulholland, anunciado neste domingo. Os manifestantes marcaram para a segunda-feira, 14, uma assembléia para avaliar o movimento.   Haddad disse que espera que haja um consenso na escolha do nome, mas que se houver mais de uma indicação, a escolha será feita por ele. O ministro afirmou ainda que a intenção é que esse reitor provisório seja alguém que não tenha interesse em ocupar a reitoria da UnB, que é eleita a cada quatro anos. O novo dirigente da universidade deve ter "envergadura intelectual e conduzir o processo de escolha do novo reitor de forma isonômica", defendeu.   Segundo ele, os decanos da universidade também serão substituídos porque não se sustentam no cargo sem a presença do reitor Timothy Mullholland, e do vice-reitor Edgar Mamyia, que pediram exoneração dos cargos. Haddad foi comunicado neste domingo da decisão de Mullholland, durante reunião do Conselho Universitário da UnB, por telefone. A expectativa é que a renúncia do reitor seja formalizada até a segunda-feira, 14, quando um representante da Secretaria de Comunidade Superior deve ir ao encontro do reitor.   O ministro explicou que a UnB não pode ficar acéfala por muito tempo, e que há necessidade de dar prosseguimento ao trabalho de rotina da universidade, entre eles o pagamento dos funcionários e a contratação de pessoal.   Timothy Mulholland e o decano de administração da UnB, Érico Paulo Weidle, são alvo de uma ação na Justiça por improbidade administrativa. Segundo a denúncia do Ministério Público do Distrito Federal, a Finatec - fundação ligada à UnB - gastou cerca de R$ 500 mil com mobília e decoração de um apartamento funcional que era ocupado por Mulholland. O dinheiro deveria ter sido usado em pesquisa científica.

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