Vale diz aceitar outras formas de venda de minério

A Vale, maior exportadora mundial de minério de ferro, poderá aceitar novas formas de comercialização da commodity com seus principais clientes, buscando se adaptar às mudanças no mercado em meio à crise global.

LEONARDO GOY, REUTERS

18 de outubro de 2011 | 14h46

O presidente-executivo da mineradora, Murilo Ferreira, confirmou nesta terça-feira que a empresa tem fechado negócios sem considerar a fórmula de reajustes trimestrais criada há pouco tempo, em substituição ao sistema anual que durou 40 anos.

"A Vale tem uma fórmula (de venda), mas se alguém quiser comprar em uma situação diferente, é discutível", disse Ferreira a jornalistas, ao chegar para uma audiência pública sobre o setor de mineração no Senado.

"O que acontece é que se ajusta (a comercialização) de acordo com as condições do momento", acrescentou Ferreira.

Os preços do minério de ferro no mercado à vista na China, o maior importador mundial do produto, sofreram queda de aproximadamente 15 por cento desde meados de setembro, com as expectativas de queda na demanda por aço nos países desenvolvidos e uma possível desaceleração da economia chinesa.

Na semana passada, siderúrgicas chinesas disseram ter recebido da Vale outras opções para definir o preço de compra do minério, já que a fórmula tradicional, uma média de preços em três meses passados, falhou em refletir a rápida mudança nos valores do minério no mercado.

A Vale também teria eliminado uma cláusula dos contratos trimestrais que previa a manutenção dos valores se a variação de trimestre para trimestre fosse inferior a 5 por cento.

Murilo Ferreira não deu detalhes de como a empresa tem negociado, mas admitiu mudanças.

"Quando tem comprador e vendedor você não impõe a fórmula. Alguns clientes querem comprar de outra forma e será feito. (Mas) a fórmula trimestral permanece", afirmou.

A ação da Vale operava em queda de 1,8 por cento por volta das 14h30, enquanto o Ibovespa estava praticamente estável no mesmo horário.

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