Vazamento de óleo no Rio pode chegar a 15 mil barris, diz Minc

O vazamento de óleo na bacia de Campos foi maior que o divulgado pela petroleira norte-americana Chevron, segundo estimativas da Secretaria do Meio Ambiente do Rio de Janeiro, que calcula que o derramamento pode chegar a 15 mil barris, disse o secretário Carlos Minc nesta quarta-feira.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

23 de novembro de 2011 | 21h16

Ele informou que os cálculos da secretaria mostram que apenas um terço do óleo que vazou do poço emergiu à superfície e outros dois terços estão na coluna d'água ou dispersaram.

A Chevron tem informado oficialmente que o vazamento foi de aproximadamente 2,5 mil barris de óleo.

"Trezentos e oitenta e cinco mil litros foram recolhidos, mas dois terços estão ainda abaixo do nível d'água e o resto foi dispersado com jatos de água... a estimativa total é de 15 mil barris", disse Minc em entrevista a jornalistas estrangeiros.

Segundo ele, esse óleo na coluna d'água vai entrar em contato com o sal no fundo do mar e vai se transformar em pelotas de piche que podem chegar ao litoral de alguns Estados.

"Essas pelotas podem chegar nas praias do Rio de Janeiro, São Paulo e Espírito Santo de 15 dias a dois meses. Isso vai depender do vento e da corrente", declarou Minc.

O secretário revelou ainda que a fauna marinha também será prejudicada pelo acidente, uma vez que o local do acidente é rota de várias espécies de baleia e golfinhos que nesta época do ano vem para as águas frias do cone sul para se alimentar.

"Quando sobrevoei o local do acidente vi três baleias jubarte a 300 metros do acidente", afirmou.

Nesta quarta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) suspendeu as operações da Chevron no país até que sejam identificadas as causas e os responsáveis pelo vazamento de petróleo no campo de Frade, operado pela empresa norte-americana, iniciado há cerca de duas semanas.

ROYALTIES

Depois de dizer que o derramamento era evitável e de cobrar a prisão dos responsáveis pelo acidente, Minc admitiu que o Estado do Rio pode se fortalecer na disputa pelos royalties do petróleo.

No Congresso Nacional tramita um projeto que prevê a redivisão de recursos oriundos dos royalties que pode afetar os cofres do Estado do Rio de Janeiro.

"Acho que sim (fortalece o Rio no debate sobre royalties). Os prejuízos não acontecerão nas belas praias do Piauí ou nos rios de Rondônia. Os royalties da mineração ficam em Minas Gerais e da energia nas hidrelétricas da Amazônia", afirmou o secretário.

"Já peguei amostras do óleo de Frade que foram recolhidas do vazamento, coloquei numa garrafinha e vou enviar no fim do ano como presente de Natal uma amostra para cada governador que quer usurpar os royalties do Rio de Janeiro."

A Comissão de Meio Ambiente e Saneamento da Assembleia Legislativa do Rio aprovou nesta quarta a abertura de uma CPI para apurar o acidente na bacia de Campos.

"A Chevron cometeu erros primários e quem não tem condições de lidar com o meio ambiente não é bem-vindo no Brasil", finalizou Minc, em tom irritado.

O presidente da Chevron no Brasil, George Buck, participou de uma audiência pública na Câmara dos Deputados, em Brasília, onde pediu desculpas pelo incidente e disse que a empresa gostaria de continuar atuando no Brasil, e que para isso estava tomando as medidas necessárias para resolver o problema.

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIADERRAMAMENTOMINC*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.