Votação presidencial ocorre tranquilamente na Libéria

Liberianos aguardaram pacificamente, nesta terça-feira, em filas formadas debaixo de chuva para a segunda eleição presidencial do país do oeste africano desde o fim de uma guerra civil, com a presidente Ellen Johnson-Sirleaf em busca de um segundo mandato.

RICHARD VALDMANIS E TOWEH AL, REUTERS

11 Outubro 2011 | 16h20

A eleição coloca a recém-ganhadora do prêmio Nobel da Paz contra o ex-diplomata da ONU Winston Tubman e 14 outros candidatos.

A votação pode ser um divisor de águas para a Libéria, com investidores dispostos a colocar bilhões de dólares no setor de mineração e o país emergindo como uma eventual nação petrolífera.

"Tivemos um passado difícil, muito difícil, mas hoje estamos votando para a paz", disse o morador de Monróvia Benjaman Nimley, enquanto aguardava na fila com outros para exercer o seu voto em uma escola reformada que serviu como ponto de votação na capital à beira-mar.

Apontando para o céu para a mais recente chuva da estação, ele acrescentou: "É a chuva que ajuda você a apreciar o sol".

Emoções estiveram em alta numa disputa que algumas previsões indicam que irá para o segundo turno entre Johnson-Sirleaf e Tubman.

Muitos eleitores recordam como a disputa sobre o resultado da eleição de 2005 levou a dias de tumultos na capital Monróvia. Mas observadores disseram que a votação até agora era pacífica.

"Tudo bem até agora. Os relatórios que estamos recebendo mostram que tudo está indo bem por enquanto", disse à Reuters o ex-presidente nigeriano Yakubu Gowon, que lidera a equipe de monitoramento do instituto norte-americano Carter Center, em Monróvia.

Wandira Kazibwe, da delegação de observadores da União Africana, disse: "Pelo que vejo não há nenhuma preocupação. Se os líderes aceitarem os resultados, não haverá chance para a violência."

Após oito anos em paz, a Libéria tem visto um crescente investimento em minas de ferro e ouro, e convenceu doadores internacionais a abrirem mão da maioria de sua dívida, embora muitos moradores reclamam da falta de serviços básicos, alta dos alimentos, criminalidade desenfreada e corrupção.

"Ellen não fez nada, eu não vi nada", disse Anthony, um morador de 18 anos de West Point, uma favela de Monróvia onde o esgoto a céu aberto passa entre um amontoado de tijolos improvisados e casas de lata, que são o lar de muitas ex-crianças combatentes da guerra civil.

Johnson-Sirleaf inicialmente descartou um segundo mandato, mas, desde então, disse que precisa de um novo grande desafio.

Tubman, cujo companheiro de chapa é o ex-astro do futebol do país George Weah, deve ser o concorrente mais duro para a atual presidente.

Analistas dizem que o prêmio Nobel dado a Johnson-Sirleaf, atribuído conjuntamente com a ativista da Libéria Leymah Gbowee e a ativista iemenita Tawakul Karman, na semana passada, poderia dar-lhe uma vantagem ao atrair o voto feminino em seu favor.

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