Zimbábue busca 'todo apoio possível' contra a cólera

O Zimbábue ainda precisa de ajuda para lidar com a disseminação da cólera, disse o ministro da Informação do país na sexta-feira, um dia depois de o presidente Robert Mugabe ter anunciado que o governo havia contido o surto. "Precisamos de todo apoio possível das nações amantes da paz. Nós já temos o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS)", afirmou o ministro Sikhanyiso Ndlovu a repórteres em Harare. Mugabe, sob crescente pressão do Ocidente para que renuncie à medida que a economia e o sistema de saúde de Zimbábue entram em colapso, havia dito na quinta-feira: "Nós detivemos a cólera". A ONU informou, entretanto, que o número de mortes, atualmente em torno de 800, está subindo. Ndlovu acusou organizações de mídia de interpretar de forma errada os comentários de Mugabe. O porta-voz do presidente, George Charamba, disse que as declarações foram retiradas do contexto. "Há apenas duas semanas o governo do Zimbábue declarou estado de emergência por causa do surto de cólera e apelou por assistência internacional", disse Charamba. "O chefe desse mesmo governo não pode sugerir que não exista surto de cólera no Zimbábue." A Organização Mundial de Saúde (OMS) informou na sexta-feira que o número total de mortes pela cólera subiu para 792, com 16.700 casos. "Não acho que o surto de cólera esteja sob controle agora", disse a porta-voz da OMS Fadela Chaib em Genebra. "Ele está claramente em uma tendência ascendente desde o dia 20 de novembro. Não comentamos a afirmação do presidente Mugabe porque agora não é o momento de discutir política. Nosso único objetivo é trabalhar com o Ministério da Saúde e com parceiros para ajudar a tratar os doentes e evitar maior disseminação", afirmou ela. Mugabe, que governa o Zimbábue há 28 anos, acusa os países ocidentais de tentar usar o surto de cólera para forçá-lo a deixar o poder. "Agora que não há cólera, não há motivo para guerra", disse ele na quinta-feira. Líderes ocidentais e alguns africanos pediram que o governante de 84 anos renuncie em meio a uma crise política alimentada pelo declínio econômico e pela epidemia de cólera. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu na sexta-feira que Mugabe chegue a um acordo sobre um novo governo, para "deixar seu legado de uma forma positiva".

NELSON BANYA, REUTERS

12 Dezembro 2008 | 17h02

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