Em toda eleição, a saúde lidera as preocupações da população e os discursos de campanha. Historicamente, porém, bastava a apuração das urnas para que o tema saísse de cena, retornando apenas na eleição seguinte.
Desta vez, foi diferente. O eleitor reconheceu nas urnas os governantes que trataram a saúde como agenda diária de gestão, e não apenas como bandeira de palanque.
O caso mais emblemático veio de São Paulo, onde a eleição foi definida já no primeiro turno, refletindo a aprovação popular de uma gestão que manteve a saúde no centro das prioridades.
Isso importa para todos. Para o cidadão, a priorização do setor se traduz em mais acesso ao atendimento, com menos tempo de espera para consultas, exames e cirurgias.
Para a economia, uma população saudável significa trabalhadores mais produtivos e menos faltas por doença. Cuidar da saúde também é impulsionar o desenvolvimento do País. Hospitais, laboratórios e indústrias de medicamentos e dispositivos médicos formam uma cadeia que gera empregos qualificados, inovação e arrecadação.
Vencer uma eleição com a saúde como prioridade aumenta a cobrança da população e a responsabilidade dos governos eleitos.
Para transformar essa confiança em resultados duradouros, as novas gestões precisam assumir cinco compromissos fundamentais.
O primeiro é garantir a continuidade das políticas e dos programas que funcionaram, superando a cultura de recomeçar do zero a cada mandato.
O segundo é estabelecer metas públicas e transparentes, com indicadores e prazos claros para que o cidadão possa acompanhar a evolução dos serviços.
O terceiro compromisso é o diálogo permanente entre governo, hospitais, profissionais de saúde, indústria e sociedade civil na construção das soluções.
O quarto é acelerar a inovação e a tecnologia, estimulando a pesquisa, a expansão da saúde digital, a exemplo da telemedicina, e a produção nacional de medicamentos e equipamentos, para reduzir a dependência de produtos importados.
Por fim, o quinto é consolidar um ambiente de segurança jurídica e estabilidade regulatória, que permita às empresas do setor se planejarem e realizarem investimentos de longo prazo.
A saúde não pode continuar sendo tratada como um assunto de quatro em quatro anos, que se encerra após a apuração. As urnas mandaram um recado claro ao mostrar que a população valoriza e premia quem cuida das pessoas todos os dias. Cabe agora aos governos eleitos converter esse voto de confiança numa política pública permanente e estruturante. E, à sociedade, cabe exercer o seu papel de acompanhar e cobrar de perto. Quando a saúde se torna prioridade o tempo todo, quem ganha é o Brasil.
