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O pior da inflação está por vir

Diretor do Banco Central diz que IPCA ainda vai piorar até convergir para a meta até 2026

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Por Notas & Informações

O surto inflacionário, que atinge com especial intensidade os alimentos, ainda vai piorar antes de começar a apresentar alguma melhora, trazendo desafios extras para os próximos meses. Essa foi a principal mensagem do sucessor de Gabriel Galípolo na Diretoria de Política Monetária do Banco Central (BC), Nilton David, em recente evento com representantes do mercado financeiro. David assumiu o cargo em janeiro, quando Galípolo passou a presidir o BC.

A preleção do novo diretor do BC não difere dos prognósticos recentes do Comitê de Política Monetária (Copom) de que a inflação encerrará o primeiro semestre acima do teto da meta e somente a partir daí tenderá a se estabilizar e baixar. David salientou que até o terceiro trimestre de 2026 passará a convergir para a meta. Apesar da previsão ruim, a declaração indica disposição da autoridade monetária de manter a mira voltada à meta de 3% ao ano para o IPCA, com tolerância de 1,5 ponto porcentual (p.p.).

Com 4,56% no acumulado em 12 meses, a taxa continuou a estourar a meta em janeiro, mesmo com queda suave de 0,27 p.p. em relação a dezembro. Como janeiro foi um ponto fora da curva, devido à redução no custo da energia elétrica, as estimativas são de que o índice tenha voltado a subir em fevereiro. Considerando efetivos os discursos recentes de David e Galípolo, e não simples retórica, o BC continuará a subir os juros para frear a inflação. A taxa de março está desde dezembro pactuada pelo Copom: 14,25% ao ano, 1 p.p. acima do nível atual, mantidas as circunstâncias observadas no fim de 2024.

Nilton David não deu pistas sobre a reunião de maio, mas será esse o teste decisivo da gestão Galípolo, depois das duas decisões do Copom de certa forma antecipadas em dezembro. Até agora Lula da Silva, que durante dois anos torpedeou o BC sob a gestão de Roberto Campos Neto, tem mantido, ao menos em público, atitude condescendente com seu indicado para o comando do banco. Já disse que não esperava “milagres”, que “não é possível dar um cavalo de pau num navio como o Brasil” e que Galípolo precisa de tempo para “consertar os juros”.

Não tardará para Lula agir como Lula e retomar a pressão e a “briga eterna”, segundo sua própria definição, pela queda de juros mesmo diante da insegurança do cenário macroeconômico e fiscal. Nilton David lembrou, no evento, da defasagem nos efeitos de uma política monetária contracionista. Pode-se acrescentar, sem receio de errar, que a atuação solitária do BC, sem o respaldo do Executivo no necessário equilíbrio fiscal, torna a missão ainda mais árdua.

O Banco Central tem a perspectiva de controlar a inflação até o terceiro trimestre de 2026. É o que o banco chama de “horizonte relevante” para fazer com que a taxa se mantenha abaixo de 4,5%, limite máximo permitido para a meta de 3% ao ano. O diretor do BC afirmou que a política monetária pode estabilizar o IPCA “ao redor” de 4%. Difícil imaginar que o Planalto acompanhe com paciência o processo. Do mercado vêm sinais de confiança: o último relatório Focus trouxe leve recuo na projeção da Selic, de 15,25% para 15% neste ano, embora a mediana para o IPCA tenha subido pela 19.ª semana consecutiva, para 5,65%. Já de Lula, é quase certo que haverá mais pressão.l