Gerando resumo
Em um Natal que insiste em pratos robustos, longas horas à mesa e temperaturas altas, a sangria aparece como uma alternativa simples, coletiva e mais leve para acompanhar a ceia.
Diluir o vinho com frutas, gelo e especiarias é mais do que um truque contemporâneo para reduzir o teor alcoólico. Trata-se de um gesto antigo: já na Roma Antiga, misturar vinho a água, frutas e aromas era uma forma de tornar a bebida mais estável, agradável e adequada ao consumo cotidiano.
A versão moderna, porém, ganha identidade própria na Península Ibérica, especialmente em Portugal e na Espanha, onde a sangria se consolida como bebida de convívio.
“Mesmo a origem da sangria moderna não tem ligação com vinhos sofisticados no preparo”, afirma o Professor Elvis Campello, docente da área de Sala e Bar do Senac São Paulo. “Após a vinificação, era comum misturar o vinho às frutas disponíveis no pomar ou trocadas entre produtores vizinhos, prática que transformou o hábito em cultura. Essa tradição atravessou o Atlântico com os imigrantes europeus e encontrou terreno fértil em reuniões familiares e celebrações coletivas aqui no Brasil.”
Na hora de preparar, a lógica segue sendo a do equilíbrio. Frutas frescas e da estação são indispensáveis e o vinho precisa continuar sendo protagonista. “Nada de atropelar o sabor do vinho com sucos ou licores”, alerta o professor.
A ideia é compor, não mascarar. Por isso, a recomendação é clara: vinhos tintos simples funcionam melhor do que rótulos complexos, que acabam perdendo suas nuances na mistura, além de encarecer desnecessariamente a jarra.
Para a ceia de Natal, a sangria ganha ainda mais sentido.
Importamos um ritual de inverno europeu para um país em pleno verão, e a bebida ajuda a equilibrar essa conta. O uso de frutas e sucos cítricos traz refrescância e acidez, fundamentais para limpar o peso no paladar de pratos tradicionais como peru e tender.
E, se a ideia for incluir todo mundo à mesa, há espaço até para versões sem álcool: infusões de hibisco podem substituir o vinho e manter a cor, o frescor e o espírito coletivo da sangria, que no fim das contas, sempre foi mais sobre compartilhar do que sobre beber.
“Se na Espanha a trilha sonora que acompanha a Sangria é o Flamenco, em Portugal, o Fado, aqui no Brasil eu sugiro degustar sua jarra ouvindo o som psicodélico da banda dos anos 70 Ave Sangria. Se você observar bem uma jarra de Sangria, ela traz uma visão psicodélica da mescla de vinhos, frutas e muitas vezes, especiarias”, finaliza o professor Elvis Campello.
Vamos às receitas:
Sangria Clássica

Clássica e fácil de preparar, a sangria tradicional combina vinho tinto com frutas como maçã, uva, abacaxi, pêssego e laranja, resultando em um drinque refrescante e aromático.
A receita da pizzaria Luce é ideal para o Natal em clima tropical, rende bem e funciona como uma opção prática para servir em jarra durante a ceia, agradando diferentes paladares.
Sangria de Limoncello

Inspirada na caipirinha brasileira e na sangria espanhola, esta versão com vinho branco e limoncello traz um toque italiano ao drinque.
A receita combina frutas verdes, espumante e ervas aromáticas, resultando em uma bebida fresca, aromática e fácil de preparar, ideal para acompanhar almoços e jantares em clima leve e descontraído.
Sangrita

Criada pelo chef Alain Poletto, esta receita une a sangria espanhola leva margarita mexicana em um drinque refrescante e equilibrado.
O vinho tinto funciona como base, enquanto a tequila, o triple sec e os cítricos trazem acidez e frescor, finalizados pela borda de sal, açúcar e raspas de limão. Uma variação criativa da sangria tradicional, pensada para ser servida bem gelada e compartilhada à mesa.
Sangria de frutas amarelas

Leve, aromática e fácil de preparar, esta sangria de frutas amarelas do Hiu Hotel aposta no vinho branco combinado a manga, melão e abacaxi, criando um drinque refrescante que rende bem e funciona para servir em grupo.
Ideal para festas e encontros informais, a receita ainda permite variações simples, com a troca das frutas por morango ou laranja, mantendo o caráter prático e coletivo da sangria.
Sangria sem álcool com infusão de hibisco

Sem álcool e igualmente refrescante, esta “sangria” feita à base de infusão de hibisco, frutas vermelhas e gengibre é uma alternativa leve para quem não consome bebidas alcoólicas ou busca equilíbrio na ceia.
Criada pela pesquisadora Carla Saueressig, d’A Loja do Chá, a receita mantém o espírito da sangria tradicional: cor intensa, fruta em abundância e preparo coletivo - sem usar vinho ou destilados, funcionando bem para servir em jarra e agradar a todos à mesa.





