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Restaurantes e Bares

Pela primeira vez, associação vai medir impacto das ‘canetas emagrecedoras’ nos restaurantes e bares

Disseminação do uso de Mounjaro, Ozempic e similares deve ampliar a oferta de drinques sem álcool, dos pratos compartilhados e da aposta na “experiência do ambiente”, projeta a Abrasel

Web - ozempic e mounjaro. Foto: olgakris/Adobe StockWeb - ozempic e mounjaro. Foto: olgakris/Adobe Stock
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Especialistas projetam 4 impactos na era 'menu Mounjaro'

Pela primeira vez, associação vai pesquisar bares e restaurantes para avaliar mudanças com as canetas emagrecedoras. Crédito: Edição: Joaquim Macruz, Coord de pós: Anderson Russo, Captação: Lucas Ghitelar, Produção: Vitória Schimdtz

“A gente já chega com o ‘tanque pela metade’, sem uma vontade voraz do prato. Vinho ou cerveja perdem espaço, sobremesa só se for uma colherada”, definiu uma empresária sobre a experiência de frequentar os restaurantes após o uso de Mounjaro, dando o tom do fenômeno detectado por muitas casas desde o ano passado.

Agora, pela primeira vez, esse comportamento será mapeado no Brasil para avaliar o impacto do uso das chamadas “canetas emagrecedoras” em bares e restaurantes.

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Pratos irmãos: no NOU, já existe opção de um prato menor para quem está com menos apetite Foto: Karol Azevedo/Divulgação

“O comportamento dos usuários das ‘canetas’ começou a chegar aos restaurantes de forma pontual em 2024, ganhou força em 2025, mas ainda muito restrito aos estabelecimentos de classe A, até porque são medicamentos caros”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes).

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A aposta atual é que o efeito ganhe novas dimensões. “Sabemos - no entanto - que existe um movimento que favorece a disseminação desse tipo de medicação em mais esferas. Por consequência, a mudança no comportamento dos clientes deve chegar em mais estabelecimentos e é esse impacto que vamos mapear em nossa pesquisa”, explicou Somucci.

O levantamento da Abrasel deve começar já no próximo mês e vai avaliar casas de todos os tipos de cardápios, desde as que têm menu-executivo, rodízios e até os restaurantes por quilo. A expectativa é que o levantamento seja respondido por dois mil associados da entidade.

As 4 tendências de consumo na nova era da gastronomia pós-mounjaro

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Além de identificar alterações no comportamento que possam trazer impactos negativos para o faturamento dos estabelecimentos- como aumento do desperdício de comida ou diminuição da frequência - a proposta também é identificar ações e condutas consideradas exitosas e que podem ser compartilhadas ou servir de inspiração.

“Nosso setor é extremamente eficiente em responder às demandas do público. São em nossos espaços que os novos comportamentos aparecem primeiro”, afirma Somucci.

“Das casas que já sentiram a mudança do comportamento pelo uso das medicações, tivemos respostas bem interessantes e são as que considero que podem ser mais replicadas agora”, comenta o presidente da Abrasel para emendar a lista com 4 grandes apostas na tendência (endossadas por outros especialistas ouvidos por Paladar):

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1. Maior oferta de drinques sem álcool

Isso porque usuários de medicamentos têm restrições ao álcool, o que acaba impulsionando a produção dos chamados mocktails e também a oferta de vinhos e cervejas sem álcool - vale dizer que o mercado sem álcool cresceu e hoje o Brasil já é o segundo país do mundo nesse consumo.

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Purple Rain, mocktail disponível no The Door Foto: Leo Feltran

2. Reformulação no tamanho dos pratos e “menus mounjaros” para fisgar clientes

Outra estratégia para atender os clientes é personalizar as experiências para quem se declara usuários desses tipos de medicação.

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Alguns restaurantes já adotaram o chamado “Menu mounjaro”, uma versão reduzida do tamanho do prato, que no restaurante NOU já responde por até um quatro das vendas.

Churrascarias, da mesma forma, assumiram o jargão, oferecendo preços menores para os usuários de medicações do tipo, repetindo a estratégia do “menu Kids”, já consolidado.

Mais recentemente, o portal Business Insider divulgou que o Mc Donald cogita uma espécie de “Mc Mounjaro”.

De acordo com publicação, em uma reunião de executivos, o CEO da rede nos Estados Unidos disso que era preciso atenção ao comportamento influenciado pelo uso das medicações.

O foco seria reformular a quantidade de petiscos, aumentar a proteína e reavaliar as bebidas que fazem parte dos combos.

3. Aumento de proteína nos pratos

Por falar em proteínas nos pratos, essa classe de medicamentos - que nada mais nada menos são as carnes e as proteínas vegetais, como oleaginosas, queijos e ovos - devem ganhar destaque nos pratos - um vez que são mais “aceitas” por quem está em algum tipo de restrição alimentar. (vale dizer que o brasileiro não precisa de proteína extra, como apontou esse estudo)

Proteínas Foto: Piotr Malczyk/ Adobe Stock

Mas como é praxe que o consumo de proteína aumente entre quem quer emagrecer, o presidente da Abrasel também projeta que os restaurantes tendam a dar mais destaque para esse tipo de alimento, em detrimento dos carboidratos - a ver como as casas de massas e cantinas vão absorver o comportamento.

Redes de supermercados, como a Assaí, já confirmaram que dentre as principais mudanças de consumo identificadas nas lojas foi o maior consumo de proteínas, tendência que deve crescer e ganhar mais espaço nos carrinhos dos clientes.

4. Uma sobremesa, quatro colheres

Por fim, a grande tendência que deve se consolidar, tanto na visão da Abrasel, como a colunista de Paladar, Patrícia Ferraz - que estuda e acompanha os fenômenos de perto da gastronomia - é o “compartilhar” como convite e não mais como pedido de permissão.

“Se antes poderia até ser mal visto a pessoa pedir uma sobremesa e quatro colheres para compartilhar, agora isso deve ser uma tendência, inclusive estimulada pelos restaurantes que devem criar essas experiências”, acredita Paulo.

“Os restaurantes perceberam que os remédios tiram a vontade de comer, mas não a vontade de sair com os amigos. Então é preciso investir na experiência”, resume Patrícia Ferraz quem desde 2025 já alerta que os restaurantes que não se adaptarem a esse impacto provocado pelo crescente uso das medicações inibidoras de apetite, vão quebrar.

Um chef que usa Ozempic entendeu os clientes

Patrícia conta que ela entrevistou no ano passado um dos maiores chefs estrelados do mundo e foi ele que entendeu o alcance do fenômeno das canetas.

Heston Blumenthal, do Fat Duck - que mantém suas três estrelas Michelan há anos - estava muito acima do peso, com muitos problemas de saúde, e começou a usar os remédios do tipo.

“E ele entendeu o que ocorria com seus clientes. Eles até começavam a comer, mas não conseguiam continuar, mas queriam a socialização. Foi aí que ele criou um menu degustação específico para esses clientes. E foi Blumenthal quem disse que os restaurantes e supermercados que não criarem soluções para esse público, vão quebrar”, contou Patrícia.

O chef inglês Heston Blumenthal foi homenageado pelo conjunto de sua obra. O Fat Duck, seu restaurante de Londres, já ficou com a primeira colocação no ranking em 2005. Na premiação de 2017, seu Dinner by Heston Blumenthal ficou na 36ª posição. Foto: The World's 50 Best/Divulgação

É fato que os medicamentos do tipo não reduzem só a fome, mas a relação com a comida também é alterada, podendo inclusive incentivar um isolamento se for pautada pelo medo, como observou a psicanalista do Grupo Corpo e Cultura em entrevista ao Paladar.

E também é verdade que o acesso a essas medicações, a ponto de interferir nos hábitos sociais, ainda estão centrados em uma pequena parcela da população.

Mas bares e restaurantes são sentinelas, janelas sociais onde se pode observar o comportamento, tendências e cotidianos e agora é hora de entender o que ocorre quando o “Monjauro senta à mesa”.

“Respondemos sempre ao público. E agora vamos identificar o que o público quer”, define o presidente da Abrasel.

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