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Canetas emagrecedoras estão mudando padrão de consumo nos supermercados, diz presidente do Assaí

Segundo Belmiro Gomes, lojas da rede registraram queda na compra de bebidas alcoólicas e avanço da demanda por proteínas após popularização dos medicamentos

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Foto do autor Júlia Pestana
Atualização:

Canetas para obesidade: quem pode usar e quais os cuidados?

O endocrinologista Josemar de Almeida Moura fala sobre os riscos das canetas emagrecedoras: "Medicamento não é moda".

Confira o resumo que a LE.IA, a IA do Estadão, fez pra você

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O presidente do Assaí, Belmiro Gomes, afirmou que os medicamentos à base de GLP-1, conhecidos como “canetinhas emagrecedoras” já começam a provocar mudanças no padrão de consumo observado nas lojas da rede, com queda na compra de álcool e avanço gradual da demanda por proteínas. Segundo ele, o efeito ainda varia por classe social, mas já permite mapear tendências estruturais no comportamento do consumidor brasileiro.

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Segundo o executivo, à medida que os consumidores em tratamento buscam preservar ou ganhar massa muscular, cresce a procura por alimentos proteicos, movimento que tende a se intensificar com a chegada de uma nova geração de medicamentos prevista para este ano, que deve reduzir a perda de massa magra associada ao emagrecimento.

Belmiro avaliou ainda que o Brasil pode sentir esse impacto antes de outros mercados, por características como a elevada penetração de academias e a maior preocupação cultural com saúde e corpo. “O País tem o maior número de academias per capita do mundo”, afirmou.

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O presidente do Assaí, Belmiro Gomes Foto: Werther Santana/Estadão

Na visão dele, a mudança no mix de consumo pode, ao longo do tempo, alcançar a agroindústria e as commodities, com ajuste de demanda entre cadeias ligadas a álcool, carboidratos e proteínas.

Custos da saúde pública

Isabela Wanderley, ex-CEO da farmacêutica Novo Nordisk no Brasil, afirmou que o avanço dos tratamentos para obesidade tende a reduzir custos do sistema de saúde e alterar estruturalmente o padrão de consumo da população.

Segundo ela, cerca de 30% dos brasileiros já são obesos e até 50% estão em sobrepeso, o que pressiona gastos públicos e privados com doenças crônicas associadas. A Novo Nordisk é famosa pelo Ozempic e Wegovy, produzindo cerca de 50% da insulina mundial.

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Wanderley também afirmou que uma perda de aproximadamente 10% do peso corporal pode elevar a expectativa de vida em até dez anos e reduzir em cerca de 65% as internações hospitalares, efeito considerado relevante para países com sistema de saúde universal e orçamento restrito, como o Brasil.

“Os novos medicamentos mudam o comportamento alimentar ao ampliar a saciedade e reduzir o consumo de alimentos ultraprocessados, levando o consumidor a ingerir menores volumes e buscar produtos de maior qualidade nutricional.” Com isso, ela diz acreditar que esse movimento abre espaço para uma reorganização da indústria e do varejo de alimentos, com maior oferta de porções menores, foco em proteína e produtos alinhados à saúde, sem perda de apelo sensorial.

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